Para a minha estreia no Modalidades com Voz, nada melhor que falar de uma das equipas que mais sigo e acompanho no Sporting. Do trabalho de Nuno Pinto até à superação de problemas, tudo vai ser abordado nesta minha estreia sobre o hóquei em patins leonino.

Esta equipa começa com um verão de mudanças, em que muito se disse e muito aconteceu. Andreia Barata sai, e com isso para surpresa de muitos, a aposta recaí sobre Nuno Pinto, um jovem treinador muito conhecedor do jogo, mas que levantou muitas dúvidas para muitos. Não existiu um período de calma nesta equipa. Além destas mudanças, a vinda de jogadoras que foi marcando a época desde o começo, isto porque foram vários rumores no verão, existindo a suposta vinda da Cata Flores que acabou por nunca chegar. Mais tarde, a novela Inês Vieira que ninguém entende o que se passa. As entradas no verão ficaram fechadas com a Inês Arrais, que tinha estado sem competir uma época, mas que tem muita talento, depois a Margarida Florêncio, uma das jogadoras de maior qualidade que estava nas equipas mais pequenas e a sua irmã, a Inês Florêncio que ficou em definitivo no plantel principal, ela que é uma das maiores promessas do hóquei em patins nacional. Mas sempre instabilidade, de dentro e de fora.

Por tudo isto, podemos ver desde cedo que Nuno Pinto blindou o grupo muito bem e soube gerir perfeitamente desde a primeira hora a equipa. Nuno Pinto chamou a si o peso de tudo, e tem vindo a mostrar ao longo da temporada, toda a sua capacidade de comando de equipa e toda a sua capacidade como treinador, mostrando que é o melhor treinador da liga.

A época arrancou com 3 vitórias em 3 jogos, e depois um jogo complicado no Pavilhão João Rocha, em que perdemos com o Benfica por 3-4. Ficou já evidente que, com menos, íamos fazer mais. Jogo em que a equipa mostrou que podia discutir frente a frente com a vedetas, deixando mesmo tudo na pista para provar que se podia bater a invencibilidade vermelha.

Depois disso, a equipa foi somando vitórias, bons jogos, muitos golos e excelentes exibições.  A equipa foi sempre melhorando de jogo para jogo. Muita qualidade e um hóquei muito bem jogado. Pelo meio fomos até ao Pavilhão da Luz vencer e ver Nuno Pinto dar uma aula de hóquei a Paulo Almeida, no 2-4 em que acabámos com as invencibilidades todas do Benfica. Já tínhamos mostrado que podíamos vencer esta equipa e aqui ficou confirmado, na prática, que tudo era possível com as nossas leoas.

A verdade é que a época levou um abalo quando fomos goleados em casa pelo nosso velho rival, a segunda derrota desta temporada, mas esta por números mais expressivos. Entre as duas derrotas, foram 13 vitórias, 12 para a Liga e uma para a Taça de Portugal. Foram 88 golos marcados e apenas 15 sofridos. Depois da derrota pesada impunha-se uma resposta imediata e foi o que aconteceu, a equipa deu uma resposta de equipa gigante que é, foram 10 golos marcados e uma exibição que saltou à vista de todos. Seguem-se mais jogos, para se continuar a mostrar toda a força e qualidade destas jogadoras, antes de novo duelo com o Benfica, onde vamos ter de nos superar e voltar a fazer o que para muitos parece impossível.

Esta equipa merece todo o apoio, nunca teve paz, das saídas até às não entradas, dos problemas internos e externos, da grande contratação da Inês Vieira, que acabou encostada pelo pacto com o SL Benfica, até a esta goleada. Esta equipa já sofreu vários golpes, e em todos conseguiu reerguer-se, em todos conseguiu reagrupar e responder de forma inequívoca logo de seguida e tudo fruto da união e resiliência deste grupo. Da muralha na baliza às stickadas temíveis da nossa capitã, passando pela qualidade, entrega e raça de todas, esta equipa é composta por verdadeiras leoas, que deixam tudo na pista e que levam a cada jogo o lema do Sporting. Leoas que são exemplares no esforço, da dedicação e na devoção, de tal forma que vencem todas as expetativas e estão bem mais perto da glória.