Da equipa campeã nacional de 2016/2017, restam apenas 9 atletas: as guarda-redes Inês Pereira e Patrícia Morais, as defesas Rita Fontemanha, Joana Marchão e Bruna Costa, as médios Pinto, Fátima e Tatiana e as Ana’s (que espalham talento lá na frente), Capeta e Borges.

 

Nestes últimos 4 anos, muitas foram as mudanças. Depois do bicampeonato, Braga e Benfica passaram a dominar os troféus nacionais e, à entrada para esta época, muitas foram as desconfianças relativamente ao plantel do nosso futebol feminino.

Houve um desinvestimento geral, correram rumores de que a equipa sairia de Alcochete, Susana Cova criava desconfiança nos adeptos e as saídas das centrais Mariana Azevedo e Carole Costa, ainda por cima para dois rivais na luta pelo ceptro (Famalicão e Benfica respectivamente), à qual se juntou a saída de Diana Silva (Aston Villa) e a lesão grave de Carlyn Baldwin elevavam ainda mais as dúvidas do que esta equipa poderia fazer.

 

Longe dos olhares, a equipa foi trabalhando. Mónica Mendes foi contratada ao AC Milan e Bruna Costa, recuperada da grave lesão, foi chamada de vez ao plantel principal. O resto do mesmo foi composto pelos “bebés” de Mariana Cabral, treinadora da Equipa B e coordenadora da formação de Alvalade, tal como em anos anteriores.

 

Três goleadas nos 4 primeiros jogos: 7-0, 5-1 e 13-0. Na quinta jornada, ocorreu o  primeiro grande embate desta fase regular: o Sporting deslocou-se até ao campo do velho rival Benfica e venceu por 3-0, num jogo onde a equipa teve uma prestação muito sólida, algo que ainda não tínhamos visto em épocas anteriores, sobretudo nos confrontos frente aos grandes.

O Sporting terminou a fase regular em primeiro lugar, com 9 vitórias em 9 jogos, 47 golos marcados e apenas 4 golos sofridos (melhor ataque e melhor defesa da zona sul). Na zona norte, o recém primodivisionário Famalicão dominou e assumiu-se também ele como candidato ao título, terminando em 1º lugar também com 9 vitórias em 9 jogos e com 37 golos marcados e 4 sofridos.

 

A segunda fase do campeonato, a fase de apuramento de campeão, deixava água na boca para os grandes jogos que se adivinhavam. Sporting, Benfica, Marítimo, Famalicão, Braga e Albergaria, todas equipas difíceis de defrontar e que deixavam grandes expectativas sobre a resposta da equipa nesta fase decisiva. Ainda por cima, no mercado de Inverno as rivais reforçaram os seus plantéis, pelo que a tarefa não se adivinhava fácil.

 

Porém, as leoas não desistiram. Da elasticidade e óptimo instinto de Inês Pereira à experiência e consistência de Patrícia Morais, Susana Cova sabe que tem aqui duas opções que lhe permitem encarar qualquer desafio com confiança. Bruna Costa faz uma parelha quase perfeita com Nevena Damjanovic no centro da defesa e o trio do meio campo constituído por Tatiana Pinto, Fátima Pinto e Andreia Jacinto trazem segurança ao jogo, mesmo que o Sporting não jogue com um nº 6 declarado. Raquel Fernandes, numa das alas, explora o espaço entre linhas com as suas diagonais a partir da esquerda, Ana Borges oferece explosividade e verticalidade no flanco direito, enquanto que Carolina Mendes e Ana Capeta oferecem várias soluções, consoante o adversário que temos pela frente ou aquilo que o jogo pede. E ainda temos as bolas paradas marcadas pela Joana Marchão ou pela central goleadora, Nevena Damjanovic.

 

Este núcleo duro tornou a equipa extremamente consistente em termos defensivos, sobretudo nos grandes confrontos. E, se não sofrer é meio caminho para não perder, também podemos afirmar que não sofrer é meio caminho para ganhar!

 

O Sporting terminou a primeira volta com apenas um empate (logo no jogo inicial) frente ao Famalicão, em que sofreu, até agora, os únicos 2 golos da 2ª fase. Pelo meio, teve um ciclo terrível com 2 jogos na mesma semana frente ao Braga (um para o Campeonato Nacional e outro para as meias-finais da Taça da Liga), seguido de uma semana com duplo confronto frente ao Benfica (um jogo para o Campeonato Nacional e outro para a final da Taça da Liga) e de um jogo fora de casa frente a outro rival o Famalicão! Nestes 5 jogos, o Sporting venceu 4, tendo perdido a final da Taça da Liga frente ao Benfica, por 2-1, num jogo onde apenas fomos inferiores ao nosso rival durante cerca de 30 minutos (o Sporting beneficiou da expulsão de uma atleta do Benfica, mas, quando isso aconteceu, o jogo já se encontrava mais equilibrado). Porém, mais do que isso, mostrámos a consistência defensiva que tem caracterizado esta equipa – apenas 2 golos sofridos nestes 5 jogos contra os principais rivais (ambos na Taça da Liga)!

 

Actualmente, o Sporting encontra-se isolado no primeiro lugar do campeonato, com mais um ponto que o Benfica, mais 3 do que o Famalicão e mais 4 que o Braga, mas menos 1 jogo (tal como os rivais de Lisboa) do que Braga e Famalicão, o que nos abre boas perspectivas para a parte final do campeonato.

 

 

Faltam 6 jogos para terminar o campeonato. Nas duas últimas jornadas, vamos a Braga e recebemos o Benfica em Alcochete. Pelo meio, jogamos com o Marítimo duas vezes e não é de descurar o jogo frente ao Condeixa, uma equipa sempre complicada.

Até final do campeonato, o Famalicão visita o Benfica antes de defrontar o Braga na última jornada; por sua vez, o Braga joga duas vezes frente ao Benfica, recebe o Sporting e visita o Famalicão na última jornada, e o Benfica joga duas vezes frente ao Braga, recebe o Famalicão e visita o Sporting na última jornada.

Um final de campeonato explosivo, onde Sporting e Famalicão têm, por ventura, o calendário menos difícil. Sim, porque, com tal equilíbrio, não há jogos fáceis!

As leoas têm feito das fraquezas forças! Um pouco como os masculinos, podemos dizer que as leoas não têm as mesmas armas das adversárias, mas a solidez defensiva, a cultura tática das centro campistas, o bom ambiente no grupo, a irreverência das jovens e a garra de lutar por todas as bolas, têm conseguido elevar a performance desta equipa a níveis que, se calhar, nenhum dos adeptos esperava no início desta época. Goste-se ou não do estilo ou da nota artística, os resultados estão à vista! Tal como os masculinos, para o Campeonato Nacional, as leoas ainda não perderam qualquer embate frente aos grandes, mantendo-se imbatíveis!

Andreia Jacinto (18 anos) cimentou o seu lugar no onze habitualmente titular, Alícia Correia (17 anos) tem sido aposta no lado direito da defesa, Mariana Rosa tem sido aposta aqui e ali no flanco esquerdo, Bruna Costa está a caminho dos números da sua primeira época no Sporting, Nevena Damjanovic já leva 10 golos, alguns deles saídos do laboratório de Alcochete, Ana Borges está a caminho da sua melhor época de leão ao peito e, tanto ela com Joana Marchão, já atingiram 100 jogos com a camisola do leão rampante no peito. Menções ainda para a Carolina Beckert, Mónica Mendes, Mariana Rosa, Wibke Meister, Carlyn Baldwin, Amanda Pérez, Joana Martins, Neuza Besugo, Inês Gonçalves e Marta Ferreira, que têm cumprido sempre que foram chamadas. Carolina Jóia, Francisca Silva, Bárbara Lopes e Vera Cid ainda não foram chamadas a jogo.

Estamos na luta e, com aquilo que vimos anteriormente nesta época, será que podemos sonhar, tal como nos masculinos? Ainda nada está ganho, mas esta pode ser uma época memorável, pois nunca na nossa história fomos campeões no futebol masculino e feminino simultaneamente.

Tal como diz a letra da música recém criada para eles: “Façam-nos acreditar que no fim vamos vencer…”!

Façam-nos acreditar, leoas!