Em Portugal, quando se fala de desporto a maior parte da população associa ao futebol, o que expressa que continuamos a ser um país controlado pelo futebol e, assim, que limita a prática e cultura das outras modalidades, que raramente têm tempo de antena na televisão e comunicação social. Isto para os próprios atletas faz com que tenham menos perspetivas de serem profissionais, pelo menos dentro do país.

Assim, eu diria que conseguimos formar atletas de elite, contudo somos um país onde o desporto não tem grande relevância e valor.

Agora mais centrada no andebol, posso afirmar, com toda a felicidade, que é uma modalidade que está claramente em crescimento. Conseguimos testemunhar cada vez mais clubes a apostarem na formação dos atletas. 

Penso que o andebol é a terceira modalidade mais praticada em Portugal, logo reunimos cada vez mais magnitude e apoio na modalidade.

Ainda que o andebol esteja em crescimento, em especial no feminino, as distinções do andebol português e do estrangeiro são muito grandes, começando pela dimensão do estrangeiro, isto é, conseguem encher pavilhões, mover a população. Já em Portugal, pelo menos, o andebol feminino ainda é demasiado pequeno, para além de não mover pessoas, são raras as transmissões na televisão.

Ser jogadora em Portugal é ter amor pela modalidade e fazer grandes esforços, uma vez que não há possibilidade de ser uma profissão como é noutros países. Nos dias de hoje, o atleta é um dos exemplos de vida, pois o desporto é como se fosse uma vida paralela à dele, onde só há amor e vontade de permanecer na modalidade, independente de tudo. Até podem pensar que é um hobby, uma vez que não há dinheiro envolvido. Porém, para o atleta, o desporto, neste caso, o andebol feminino, é levado a sério como se fosse uma profissão.

Na formação, os clubes, muitas vezes, não dispõem de muitos recursos, onde os pais fazem esforços e dedicam-se apenas para o filho se divertir, o que não está errado, dou imenso valor a todos os esforços, pois fez parte da minha formação e mostra que há grande amor pela modalidade. No entanto, na formação não há empenho em estimular a criança a desenvolver características de um futuro profissional da modalidade. Todavia, já existem clubes a levarem os escalões de formação a seniores, contudo nada comparado com o estrangeiro.

A pandemia parou competições, suspendeu-as, revolucionou-as, e afetou, mais do que qualquer outra, a vertente da formação, que, na sua maioria, perdeu participantes e teve de reinventar-se perante os desafios impostos pela COVID-19.

No meu caso, não se sentiu tanto, uma vez que não parou na totalidade. Penso que a formação foi a mais afetada.

Concluindo, ser atleta de andebol é errar, tentado acertar; é estar com dor e mesmo assim ir; é sentir medo e ir com medo mesmo; é ser o primeiro a chegar e o último a sair.

Como explicar o que é andebol? Como explicar a alguém o que é o amor de vestir a camisola do clube? Como explicar o que é prazer, se nunca jogaste uma final? Como se explica o que é chorar, se nunca perdeste um jogo no último segundo? Como explicar o que é esforço, se nunca te mataste num treino?

Andebol não se consegue explicar, sente-te de uma maneira muito intensa.

 

Ana Simões

Jogadora de Andebol