Esta quarta-feira, dia 7 de Abril, vai disputar-se no Pavilhão João Rocha a jornada 14 (que se encontrava em atraso), colocando frente a frente as equipas de andebol do Sporting e do Benfica.

O Sporting vai apresentar-se desfalcado para este jogo, porque, como é referente a uma jornada que estava agendada ainda no ano de 2020, os leões não vão poder contar com os reforços de Inverno Tomislav Spruk, Edmilson Araújo e Daniel Andrejew. Tiago Rocha continua em dúvida (lesionou-se no jogo frente ao Wisla Plock no Pavilhão João Rocha) e, caso não possa jogar, o Sporting apresentar-se-á a jogo apenas com Doroschuck e o jovem Eduardo Almeida como pivôs. Quem também está em dúvida para o jogo é Darko Djukic, que se lesionou e não sabemos se estará recuperado a tempo do jogo.

A pergunta que todos os sportinguistas se colocam é: Que Sporting vamos ver na quarta-feira? O Sporting dos jogos frente ao Dínamo, Kristianstad e, recentemente, frente ao Plock ou o Sporting de Presov e da grande maioria dos jogos do campeonato? A verdade é que a época tem sido irregular, sobretudo em termos exibicionais, o que nos deixa em dúvida sobre o que esta equipa poderá fazer neste jogo.

O Sporting deverá apresentar-se com a sua equipa habitual, com Skok na baliza, Bingo e Francisco Tavares nas pontas, Valdés e Schongarth como laterais, Ruesga como central e Tiago Rocha como pivô ofensivo, que deverá trocar com Doroschuck no momento da transição defesa-ataque e vice-versa.

O 7 inicial do Benfica dependerá para onde começam a atacar. Se o ponta direito estiver mais próximo do banco de suplentes, o Benfica deverá começar com Sergey ou Capdeville na baliza, Carlos Martins e Keita nas pontas, Djordjic e Nyokas ou Belone nas laterais, Kukic a central e Paulo Moreno como pivô. No momento de transição defesa-ataque, o Benfica também realiza uma substituição: se o ponta direito, como já referi atrás, estiver próximo do banco, sai Carlos Martins e entra o pivô Matic para defender; se, pelo contrário, o ponta estiver afastado, quem joga no lugar de Carlos Martins é Ole Rahmel e o jogador que sai para entrar Matic é o central Kukic.

Assim sendo, o Benfica costuma defender com dois pivôs no centro, Kukic e Djordjic nas pontas e Keita a lateral (como podemos ver na imagem em baixo).

 

 

Todavia, temos que ter em conta as rotações com os outros elementos do plantel, uma vez que deverão ir a jogo Djukic (se estiver recuperado), Joel Ribeiro, Salvador Salvador, Nuno Roque e Manuel Gaspar pelo lado do Sporting, e Arnau Garcia, Francisco Pereira, Luciano Silva e João Pais pelo lado do Benfica. Estas rotações poderão, obviamente, ter influência no resultado, mas relembro que, no jogo frente ao Porto no Dragão Arena, o Benfica teve uma rotação muito curta, trocando poucos jogadores. É de esperar, se o jogo se mantiver equilibrado, que o mesmo possa acontecer aqui.

Actualmente, o Benfica parece ter estabilizado defensivamente e encontra-se muito melhor do que no início da época, mas Belone e Nyokas não são grandes defensores e esse pode ser um ponto a explorar pelo Sporting.

 

         

 

Desse lado da defesa do Benfica, está Pedro Valdés, que tem uma clara vantagem física, sobretudo sobre Belone, sendo um jogador explosivo e que não necessita de uma trajetória tão larga como Schongarth para disparar para a baliza. Esse é o lado pelo qual o Benfica mais tem sofrido golos nos seus jogos. O Sporting pode aproveitar para fazer o jogo de 2×2 entre o lateral e o pivô: 1) Valdés arranja espaço para rematar; 2) Valdés serve o pivô; ou 3) Se a defesa ajustar e comprimir-se desse lado, Valdés pode mudar rapidamente a bola para o lado contrário, onde Ruesga, no meio, pode atacar o centro da defesa na esperança de encontrar uma brecha entre Moreno e Matic ou servir Schongarth para rematar.

 

 

Outras das opções é trocar Ruesga e Valdés de posição e colocar o espanhol, que, por ser central, tem uma melhor relação com o pivô a fazer o jogo de 2×2 na zona lateral do campo, deixando o centro para Valdés para este poder explorar o seu forte remate.

 

 

Outro aspecto defensivo do Benfica é que Petar Djordjic não é um grande defensor e afasta-se um pouco dos confrontos físicos na defesa, daí defender a ponta e não a lateral,  mas é um corpo grande e que, a defender a ponta, deixa pouco espaço para o ponta adversário receber bolas em condições de finalizá-las. Então, uma das formas para colmatar esta situação é a entrada de Francisco a segundo pivô (algo que ele faz muito bem), deixando, assim, Djordjic sem ninguém para “marcar” e Francisco a tentar ganhar e abrir algum espaço entre os defensores do bloco central, seja para ele ou para Schongarth rematar.

 

           

 

Com a saída de Frankis, o Sporting tem tido alguma dificuldade quando as defesas adversárias empurram os laterais para a ponta, cortando-lhes assim o espaço na zona central para rematar. Frankis era o melhor lateral do Sporting a finalizar quando era “empurrado” para “fora do campo”, fosse na esquerda ou na direita. Frente ao Plock, que tentou fazer isso várias vezes a Valdés, vimos o Sporting a realizar uma aérea de Valdés para Francisco Tavares, isto é, de lateral esquerdo para ponta direito, num lance bem vistoso e com sucesso! Pode ser uma solução para quando o Benfica tentar o mesmo, porque o vai fazer quase de certeza.

Quanto ao Benfica, em termos ofensivos não tem a mesma velocidade de troca de bola e inversões que apresentava sobretudo na primeira metade de época. Djordjic continua a ser o perigo número um do seu ataque e o Benfica trabalha muito bem, para lhe permitir finalizações ao centro, local onde claramente é muito mais letal. Se conseguirmos limitar os seus remates à sua zona (lateral), teremos maior taxa de sucesso!

Agora, deixo-vos com um dos principais movimentos atacantes do Benfica e que é bastante utilizado quando Belone está em campo, pois tenta tirar partido da rapidez do português e de Kukic. É uma jogada que se desenrola a toda a largura do campo e que permite vários momentos de finalização literalmente de uma ponta à outra. Tudo começa com as habituais trocas de bola e inversões de posição.

 

         

 

Chegamos à fase em que Kukic se encontra como lateral esquerdo, Belone como central e Djordjic como lateral direito, os 3 jogadores da primeira linha todos fora das suas posições naturais.
Belone Moreira ataca, então, o 3º defensor do Sporting ou, se quiserem, o espaço entre o 2º e 3º defensor do Sporting (na imagem Valdés e Schongarth).

 

         

 

Se a defesa não contrair, Belone tem oportunidade de poder jogar com o pivô ou entrar aos 6 metros. Se a defesa contrair, como acontece naturalmente, a bola é rapidamente passada para Kukic, que ataca o espaço livre à sua frente, tentando entrar aos 6 metros para finalizar (imagem da direita). Se for o ponta do Sporting a fechar esse espaço, abre-se espaço para Keita receber a bola e finalizar na ponta esquerda. Senão, Kukic volta para o centro, trocando de posição com Belone, e tenta jogar 2×2 com o pivô, no centro do campo.

 

         

 

Se, mais uma vez, a defesa fechar bem e cortar essa hipótese de passe para Paulo Moreno, pivô do Benfica, a bola é passada rapidamente para Djordjic, que atacará quem estiver à sua frente, de forma a: 1) Conseguir uma boa oportunidade de remate, e 2) Abrir espaço para o ponta receber e concretizar.

 

 

O Sporting terá que ter alguma atenção ao espaço dado ao ponta, sobretudo se este for Rahmel, pois o alemão tem sido bastante eficaz nos últimos jogos do Benfica. Defensivamente, caberá ao Sporting tentar cortar estas ligações e obrigar o Benfica a recomeçar as jogadas novamente ou a improvisar. O Sporting pode também fazer subir um pouco mais Schongarth, tentando, dessa forma, dissuadir ou cortar a linha de passe para Djordjic, anulando, assim, uma das principais referências ofensivas do Benfica.
Não esquecer que o ataque do Benfica perde espontaneidade e velocidade, se jogar Nyokas em vez de Belone, o que pode ser uma vantagem para o Sporting.

 

 

Vai ser mais uma batalha tática: quem cometer menos erros vencerá; quem perder este jogo, pode ficar irremediavelmente fora da corrida pelo título.

Termino esta pequena análise com a pergunta que coloquei atrás e que irá, a meu ver, definir este jogo: Que Sporting vamos ver na quarta-feira?