Começamos este artigo com a presença garantida na Holanda em 2022 para a defesa do título de Campeão Europeu, que conquistámos em 2018 na Eslováquia. Vamos falar do duplo confronto com a Noruega, em que vencemos e em que jogámos o melhor futsal desta qualificação, mostrando como trouxemos o ‘caneco’ para casa.

 

Portugal garantiu a sua décima participação num campeonato europeu. Temos fazer uma viagem no tempo até à primeira: 1999, sendo que a  vitória inicial surgiu apenas em 2003. A última participação foi a mais memorável, pois foi a que terminou com a nossa conquista. No histórico de jogos em campeonatos europeus, Portugal conta com 35 jogos, 15 vitórias, 12 derrotas e 8 empates. São 108 golos marcados e 101 sofridos. Um balanço que terminou da melhor maneira, com a nossa participação imaculada no último campeonato europeu em as quinas não perderam qualquer jogo.

 

Noruega 1 – 7 Portugal (12 de Abril) 

Passando para os jogos, Portugal garantiu a qualificação ao vencer o primeiro duelo com a Noruega, por 7-1. Foi o encontro em que Portugal mais marcou nesta fase de qualificação e no qual a seleção nacional quis entrar cedo a mostrar algo mais que nos anteriores. Jogo no Pavilhão Municipal da Torre da Marinha, no Seixal, onde os homens de Jorge Braz jogaram na qualidade de visitante – devido à Covid-19. Portugal entrou com tudo, sem relaxar e a querer cedo vencer. Um bom começo da seleção nacional, com várias oportunidades e foi já no minuto 10 que conseguimos marcar e assim abrir as portas para o que viria a ser um jogo cheio de golos. André Galvão mostrou o que pode oferecer ao jogo.

A verdade é que se esperava que o golo levasse a uma goleada lusa, mas foi a Noruega que reagiu e que marcou o golo através de um canto do lado esquerdo, depois uma grande trapalhada, Petter Hovik conseguiu bater Edu Sousa. Este golo não abalou a equipa das quinas que continuou melhor e conseguiu voltar a marcar. Portugal por cima e com mais oportunidades, a velocidade de alguns elementos da equipa – aqui destacamos Pauleta – ajudaram a que a nossa seleção melhorasse. Depois de alguma insistência, voltámos a marcar. Primeiro Afonso Jesus, que se estreou a marcar pelo seu país, e logo de seguida foi Bruno Coelho a fazer o gosto ao pé. Portugal continuou por cima, com mais oportunidades e acabou por voltar a marcar. Desta vez foi Tiago Brito que bisou em 3 minutos, confirmando o bom momento de forma. A superioridade era evidente e por isso mesmo chegamos ao intervalo a vencer por 1-5. No segundo tempo, o jogo continuou com sentido único em direção à baliza norueguesa. Como sempre, ao intervalo, Jorge Braz trocou de guarda-redes: Bebé entrou para fazer a segunda parte e não teve muito trabalho. O resultado foi dilatado ao minuto 24, quando André Coelho finalizou muito bem, um remate colocado e rasteiro que não deu hipóteses a Andreas Ajer. Portugal nunca tirou o pé de acelerador e por isso mesmo Afonso Jesus bisou, depois de um passe do Pauleta. Aqui sim, a formação portuguesa baixou o ritmo e passou a controlar mais a partida. Até ao final Bebé teve uma grande intervenção, mas pouco mais. Vitória mais que justa e que podia até ter sido por números superiores e que garantiu o nosso lugar no próximo campeonato europeu.

 

Portugal 4 – 0  Noruega (Dia 14 de Abril)

Segundo jogo deste duplo confronto diante dos noruegueses, com Portugal a entrar a marcar com um golo do João Matos de cabeça a abrir o marcador.  Sim, de cabeça, tal e qual fut-volei. Portugal entrou melhor até pelo golo madrugador, tentou pressionar mais alto, mudou a sua estratégia e acabou a jogar de forma diferente do primeiro jogo e até por isso as quinas sentiram mais problemas em chegar à baliza adversária. Foi novamente a entrada de alguns agitadores que fez a diferença, como normalmente mexeram com o jogo e fizeram com que Portugal voltasse a criar mais oportunidades. Seguiram-se muitas oportunidades, mas a eficácia estava abaixo do embate anterior. O segundo golo surge num ótimo trabalho coletivo que Fábio Cecílio finalizou muito bem. O mesmo Fábio Cecílio bisou uns minutos depois, desta vez com um grande remate. Um jogo mais calmo e por isso mesmo ao intervalo estava 3-0, com os ‘tugas’ a estarem melhor e a controlarem mais a partida. No segundo tempo deu para testar mais no nosso jogo, deu para lançar Silvestre e Tomás Paçó que se estrearam pela seleção, um momento memorável para os dois jovens, e, no caso do Silvestre, ainda mais especial pelo golo marcado. A Noruega tentou muito marcar, mas neste jogo não conseguiu nenhum lance “estranho” que permitisse marcar o golo de honra. Até ao final deu Portugal, mas realmente foi um jogo que serviu para lançar e dar mais tempo aos mais jovens.

 

 

Destaque 

O grande destaque para nós foi o Zicky Té, que entrou e mexeu muito com o jogo. Verdaded que acabou por terminar o total dos 80 minutos ‘a seco’, mas não é por isso quem deixa de ser um dos jogadores nacionais em melhor forma e por isso considerá-lo s a grande figura de destaque, até porque mostrou já como pode vir a ser uma peça fundamental no Euro 2022.

O momento

No segundo e último jogo, João Matos recebeu, das mãos de Humberto Coelho, vice-Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, a placa alusiva às suas 150 internacionalizações.

O encontro referente ainda vem de uma jornada anterior, que se disputou no passado dia 9 de março, frente à República Chega. Portugal acabou mesmo por vencer para coroar esta marca do atual capitão e fixo das quinas, por 5-1, na Polónia. O ‘samurai’ dos leões foi mesmo das peças mais importantes do xadrez de Jorge Braz nesta fase de qualificação.

 

Texto a quatro mãos, por Maria Pinto Jorge e José Andrade