Os Europeus de Judo decorrem entre esta sexta-feira e domingo, dias 16 e 18 de Abril, na Altice Arena, em Lisboa. Não podíamos, portanto, deixar de fazer referência à prova que, este ano, conta com a maior delegação de atletas portugueses de sempre, nada mais nada menos do que 18 atletas. Além do efeito imediato da possível conquista de medalhas em europeus, estes desportistas pontuam também para a classificação de apuramento para os Jogos Olímpicos: o ouro vale 700 pontos, a prata 490, o bronze 350 e por aí fora até aos 6 pontos por participação. Não houvesse esta pandemia e seria uma oportunidade incrível de assistir ao vivo a judo do mais alto nível; não sendo possível, toda a prova pode ser seguida pelo site da Federação Internacional de Judo, aqui.

Quanto à seleção portuguesa, esta é composta por 9 atletas femininos e 9 masculinos. Eis a lista completa de convocados:

 

Seleção Feminina:

-48 kg Catarina Costa (AAC)
-48 kg Maria Siderot (SCP)
-52 kg Joana Diogo (JCCb)
-52 kg Joana Ramos (SCP)
-57 kg Telma Monteiro (SLB)
-57 kg Wilsa Gomes (SCP)
-70 kg Bárbara Timo (SLB)
-78 kg Patrícia Sampaio (SFGP)
+78 kg Rochele Nunes (SLB)

Seleção Masculina:

-60 kg Rodrigo Lopes (SLB)
-60 kg Bernardo Tralhão (ACM)
-66 kg João Crisóstomo (ULHT)
-66 kg André Diogo (JCCb)
-73 kg João Fernando (SCP)
-81 kg Anri Egutidze (SLB)
-81 kg Manuel Rodrigues (JCPr)
-100 kg Jorge Fonseca (SCP)
-100 kg Diogo Brites (SCP)

 

A destacar, claro, Telma Monteiro, atleta do Benfica que conta com 10 (!) medalhas em Campeonatos Europeus (das quais 3 de ouro), 3 medalhas em Campeonatos Mundiais e uma em Jogos Olímpicos.

Jorge Fonseca é outro nome incontornável na comitiva portuguesa. O judoca do Sporting vai pisar o tatami em Lisboa com o dorsal vermelho, indicando que é o campeão mundial em título, sendo, na realidade, o primeiro português a conseguir um título mundial. Ambos os judocas vêm de lesões recentes, pelo que é uma incógnita como se apresentarão na prova, embora já se saiba que destes dois grandes campeões se espera sempre o melhor!

Joana Ramos (bronze) e Rochelle Nunes (prata) vêm de medalhas no Grand Slam de Tbilisi, há 3 semanas, pelo que poderão repetir o feito aqui em Lisboa.

Temos também Catarina Costa, a atual nº 8 do ranking mundial, que tem andado à porta das medalhas nos últimos Grand Slams, e muitos outros nomes de judocas portugueses mais ou menos consagrados que poderão conseguir a almejada medalha, como Wilsa Gomes, Bárbara Timo, João Fernando ou Anri Egutidze.

 

Em 2008, os Europeus também se realizaram em Lisboa e conseguimos 4 medalhas. Será que, desta vez, é possível conseguirmos igualar, ou até melhorar, este registo?  Só saberemos a partir de amanhã.

 

Para quem não está tão familiarizado com o judo, as regras são (relativamente) simples. Em primeiro lugar, há 2 níveis de pontuação: o ippon, que termina o combate; e o wazari, que é uma vantagem importante, sendo que 2 wazari equivalem a ippon

O combate dura 4 minutos, no final dos quais, se o combate estiver empatado, se inicia o Golden Score. Para ganhar um combate, um judoca tem de conseguir “apenas” um dos seguintes: 1) conseguir um ippon (ou 2 wazari); 2) no final dos 4 minutos de combate, estar em vantagem (por wazari); ou 3) conseguir pontuar (ippon ou wazari) em período de Golden Score.

Tudo entendido até agora? Ótimo, então como conseguimos obter ippon e wazari? Essencialmente, por 1 de 5 ações:

 

  • Projeção. Se projetarmos o adversário de costas no chão com controlo e velocidade, obtemos ippon (e logo, ganhamos, parabéns a nós! 🙂 ). Se o adversário cair de lado com controlo e velocidade, temos wazari, se cair de costas e falhar ou a velocidade ou o controlo total, também. Os atletas têm geralmente um conjunto de técnicas de projeção de sua eleição e é com projeções durante o judo em pé que os judocas conseguem vencer grande parte dos combates de forma mais espetacular para quem assiste.

 

  • Imobilização. Se conseguirmos controlar o adversário com costas no chão (e sem ele ter controlo sobre nenhuma das nossas pernas) durante 20 segundos, temos ippon; durante 10 segundos, temos wazari. Uma imobilização bem conseguida é praticamente impossível de contrariar e há atletas especialistas em técnicas de chão, onde ganham muitos dos seus combates.

 

  • Chave de braço: No chão, é possível também ganharmos por chave de braço, nomeadamente no cotovelo. As chaves ao pulso e ombro são, no geral, proibidas. O adversário desiste com duas pancadas com a palma da mão e ganhamos por ippon.

 

  • Estrangulamento. Executado, por norma, também no chão, resulta em fazer o adversário desistir por estrangulamento do pescoço. Ganhamos também por ippon.

 

  • Penalizações do adversário. Três penalizações do adversário resultam desqualificação do adversário, logo, em ippon para nós (ganhámos outra vez, estamos a ficar bons nisto :D). As ações mais comuns para levar penalizações são falta de ataque (muito tempo sem ataques efetivos), falso ataque (ataque sem vigor), sair dos limites do tatami (por algum tempo), pega ilegal, o treinador falar enquanto o combate não está parado ou o atleta falar com o árbitro. Algumas ações levam a desqualificação imediata, como por exemplo as já referidas chaves ao ombro. Para mais detalhe das várias penalizações, deixo-vos a  explicação do Mestre Nuno Delgado, medalhado olímpico.

 

A beleza do judo passa também pela diversidade de técnicas, quer para judo em pé, quer no chão. E há judocas especialistas para todos os gostos. Quase todos têm as suas técnicas predilectas de projeção (a variedade é imensa), alguns são especialistas no chão e outros (geralmente mais experientes) são peritos em fazer o adversário incorrer em castigos.

E pronto, acho que vos deixámos prontos para vestir o kimono e subirem ao tatami!!! Mas, se calhar, é melhor não começar logo com a participação no Campeonato Europeu, dizemos nós! Se calhar, este fim-de-semana assistem apenas e deixam a prática para mais tarde.

 

Que comecem os combates! Hajime!

 

 

Texto escrito a 4 mãos pelo Pedro Serranho e Tiago Botelho.