Estão encontradas as duas finalistas da liga Skoiy, mas para aqui chegarmos tivemos dois dias intensos, com muitas emoções e com basquetebol de excelência. Sábado e domingo, dois dias que nos deixaram com o coração aos pulos, a sofrer em casa e a querer mais deste basquetebol de excelência. Foram 4 jogos e eu vou falar de cada um deles tentando que tenha 1% da emoção dos últimos segundos dos jogos de domingo.

 

União Sportiva vs Vitória SC

No primeiro jogo, o União Spotiva venceu por 60-54. O Sportiva entrou com a Raquel Laneiro de início tal como o Vitória com a Mollenhauer, duas jogadoras muito importantes, mas que estavam condicionadas. O jogo começou muito bem, muito rápido com as duas equipas e busca da final. O Vitória até começou melhor, mais fortes no ataque, jogo mais pensado e mais intenso, mas o Sportiva sempre muito agressivo na defesa. Falhava no ataque e do lado do Vitória a Mollenhauer ia sendo muito importante nos dois lados do campo.  Sportiva passou a pressionar mais alto na busca pelo erro da equipa visitante. A Nausia e a Ana Ramos passaram a ter, mas bola, o Sportiva passou a pensar mais o jogo, a Laneiro ia estando mais resguardada e a Nausia ia fazendo a diferença com penetrações que a defesa da equipa de Guimarães não ia conseguindo parar. Além de estar em grande no ataque, a Nausia ia estando em grande na defesa, com vários roubos de bola importante e já mostrando desde cedo o jogo que ia fazer. Laneiro muito dada a marcação, nesta altura ia sendo muito importante porque arrastava as defesas com elas abrindo espaços para as colegas. Um primeiro quarto muito equilibrado, grande duelo tático e um Vitória que apesar de ter entrado melhor viu o Sportiva ir ajustando marcações e assim recuperar para ainda vencer o primeiro quarto. Um primeiro quarto com as duas equipas a conseguir um acerto de apenas 18% nos lançamentos da linha de três pontos.  No segundo quarto, foi a Sara Ressurreição que começou muito bem a pegar no jogo do Vitória. A equipa de Rui Costa procurava sempre a Mollenhauer ou a Bárbara. A Barbara estava muito marcada, sempre fechada pela defesa do Sportiva que tinha corrigido esse ponto em relação ao primeiro jogo colocando a Gabriela e a Vânia Sengo sempre em cima. O Vitória não ia conseguindo que os tiros caíssem e com isso tinham mais problemas no jogo. Jogo mais “calmo”, mais pensado do Sportiva com menos espaços para os contragolpes do Vitória, que em 5×5 sente mais problemas. A equipa de Guimarães melhorou assim que conseguiu acelerar mais o jogo, mais espaços, mais velocidade, mais Vitória. Ana Ramos com várias ações muito importantes, de penetrações até aos momentos na defesa onde impedia que o Vitória conseguisse pontuar. Mollenhauer acaba por se lesionar e foi mais uma adversidade para Rui Costa. Jogo mais nas mãos de Ana Ramos e da Nausia, sempre os bloqueios e os duelos da Gabriela com a Barbara, mas um Sportiva sempre muito bem no ataque e a defender o jogo interior do Vitória. Menos Sara Ressurreição, menos Vitória, principalmente nos tiros exteriores que demoravam para cair para o lado do Vitória. Segundo quarto equilibrado, mas com o Sportiva a ter um ascendente de jogo nesta altura.  No terceiro quarto o Sportiva entrou muito bem, Laneiro de novo de fora e os tiros exteriores começaram a cair nesta altura. Mazyck e Tatiane iam estando longe do primeiro jogo, ambas bem apagadas neste segundo duelo. O Vitória começa a equilibrar ainda mais o jogo quando a Barbara surgiu em maior evidencia na partida e isso ajudou a que o jogo interior do Vitória melhorasse. No Sportiva as melhorias vieram com a entrada da Sofia Ferreira. Laneiro não jogou neste terceiro período, Tatiane e Mazyck deram ainda um ar de sua graça e o Sportiva ia estando melhor. Uma das jogadoras que fazendo para o Sportiva ia sendo a Vânia Sengo. Jogo muito renhido. No quarto período, a Sara Ressurreição começou a descansar. Catarina Mateus ia assumindo e jogando muito bem no Vitória, Tatiane estava em crescendo desde o meio do terceiro período e acabou por fazer uma boa segunda parte e do lado do Sportiva ia sendo a Nausia a fazer mais a diferença. Mais agressividade, maior vantagem para as Açorianas e defesa em grande para a equipa de Ricardo Botelho. Sportiva acaba por vencer neste segundo jogo, com uma Nausia em grande, esteve em todo lado na quadra e fez toda a diferença nesta partida.

No jogo de domingo, nova Vitória do Sportiva, desta vez por 63-58. O Vitória foi a equipa a começar melhor, Laneiro novamente de fora na equipa da casa e o Vitória ia fazendo a diferença com um jogo rápido, tirando proveito dos espaços que o Sportiva ia dando, com Sara Ressurreição e Catarina Mateus a serem as jogadoras em maior destaque neste inicio.10-2 para o Vitória nos primeiros 5 minutos de jogo, confirmando a tal entrada mais forte da equipa de Guimarães, que além da intensidade ia conseguindo penetrações no ataque que o Sportiva não ia conseguindo defender. A equipa da casa começou a melhorar pelas mãos de Nausia e com o surgimento de Mazyck em jogo. A entrada de Sofia Ferreira voltou a ser muito importante para as açorianas. O problema da equipa da casa ia sendo na defesa, pois no ataque iam conseguindo fazer a diferença. A equipa dos Açores começou a melhorar com a defesa individual, uma marcação mais apertada fez com que o Sportiva se conseguisse reaproximar no marcador. Excelente primeiro quarto.  No segundo, foi o Sportiva a entrar melhor, pressionando mais o Vitória e com isso mais Gabi em jogo. Jogo eletrizante nesta altura, velocidade e basquetebol de excelência. O tiro exterior do Vitória voltou a não cair e com isso a equipa voltou a quebrar perante a maior agressividade e pressão do Sportiva. Primeiro ponto do Vitória surge já com 3:15 de jogo, mostrando assim esses problemas para a equipa de Guimarães. A melhoria da equipa visitante veio quando aumentaram a pressão e forçaram o Sportiva a errar mais. Jogo rápido e muito animado. As defesas começaram a fazer a diferença nos últimos minutos, muita pressão, muita agressividade e maior acerto nas defesas faziam com que as equipas pontuassem menos.  Vitória passa para defesa zona e Sportiva passa a ter um jogo mais pensado e com a bola a passar mais pelas mãos de todas as jogadoras. Sportiva mais coletivo, com Gabi e Mazyck a serem quem mais fazia a diferença. No terceiro quarto a Nausia começou em grande, voltou a ser ela a pegar no jogo e a brilhar mais. Laneiro regressa ao jogo, quando as penetrações da Mazyck iam fazendo a diferença e a Gabi ia dominando na luta das tabelas. Ana Ramos excelente na defesa, com ações que passam ao lado do Boxscore mas que fazem toda a diferença. Vitória com apenas 2 pontos em 7 minutos. Sportiva mais forte, mais agressivo e o cansaço a fazer-se notar mais nesta altura, tal era a intensidade do jogo. No último quarto a loucura, Vitória entra com um 5 mais móvel em busca de desmontar a defesa montada por Ricardo Botelho. A mobilidade da equipa de Guimarães abanou a equipa do Sportiva que deixou de conseguir pontuar. Laneiro e Ressurreição para jogo quando faltavam 5:58, ambos os treinadores a lançarem duas jogadoras mais criativas, que mesmo condicionadas fazem toda a diferença. Sportiva melhora novamente pela defesa, mais agressividade e a levar sempre as jogadoras do Vitória para a linha, sempre 2×1 para as atacantes do Vitória que assim começaram a sentir mais problemas. O Sportiva além de melhorar na defesa, melhorou no ataque, uma das jogadas que ficaram na retina, foi a 2:45, quando a bola é jogada rápida e muito bem por todas as jogadoras, chegando às mãos de Raquel Laneiro que atira muito bem, uma das jogadas mais espetaculares da partida. A equipa da casa, estava em vantagem e tentou baixar o ritmo de jogo, mas a Nausia faz uma falta ofensiva que leva Livulo para a linha de lances livres, a jogadora do Vitória converte os dois recolocando a equipa de Rui Costa novamente em jogo. A equipa mais móvel do Vitória a fazer a diferença, Tatiane aparece a fazer dois pontos depois uma falta de concentração da Ana Ramos que recebe a bola na reposição e volta a sair. O Vitória aproveitou essa desconcentração com um tiro da Catarina Mateus, que assim reduziu a vantagem para 5 pontos quando faltavam 27 segundos. Depois Barbara Sousa rouba uma bola na reposição do Sportiva, no ataque a Catarina Mateus com mais um tiro reduz para apenas dois pontos quando faltavam 18 segundos. O Sportiva vê Mazyck converter dois lances livres, depois na reposição a Gabi rouba uma bola e dá em Ana Ramos que sofre falta. Nos lances livres, Ana Ramos marca um dos dois. O Vitória vai com tudo, mas Livulo erra no ataque no último lance de jogo. Com isto o Sportiva vence e garante a presença na final. Destacar os festejos, a performance de Laneiro no banco sempre a dar indicações, o duelo tático dos dois treinadores e os dois enormes jogos que estas duas equipas nos deram. Magnifico basquetebol o que tivemos nos Açores.

SL Benfica vs Quinta dos Lombos

No primeiro jogo, a Quinta dos Lombo vence por 64-69 e que jogo foi. O jogo começou com 3 turnovers. Mariana Carvalho quem abriu o marcador, mas um jogo muito rápido, com a equipa da casa a querer desde cedo um jogo vivo e muito animado. Altia a fazer duas faltas muito cedo, ficando assim condicionada a 4:00, com isso Eugênio Rodrigues lança Mariana Silva no lugar de Altia. O jogo foi decorrendo, começaram os nervos, com muitas precipitações de lado a lado. Jogo muito intenso, muita luta, muita disputa e várias perdas de bola, ambas as equipas a errar mais. Suraya Rijal deu a maior vantagem aos Lombos a menos de 1 minuto para o final. Lombos com o jogo interior a fazer a diferença, como tantas vezes, era a luta das tabelas que fazia a diferença. No segundo tempo, as combinações dos Lombos iam fazendo a diferença e os problemas do Benfica só cresceram com a lesão da Altia que não mais voltou ao jogo. 9-17 neste início do segundo quarto para os Lombos. A equipa de Carcavelos ia sendo superior graças ao seu 5×5, sem Altia o Benfica ia sentindo muitos problemas no jogo, ainda pior com a Japonica a querer individualizar o jogo. A equipa da Luz ia sentindo muitos problemas no jogo interior e errando muito mais que os Lombos. Benfica muda para defesa individual e isso leva a mais erros da equipa de José Leite. Inês Vieira voltou a ser a jogadora que mudou o jogo, a base novamente fundamental nos Lombos. Jogo sempre muito equilibrado. No terceiro período, a equipa da casa entrou melhor e a conseguir reduzir para apenas 2 pontos a diferença. Raphaella ia fazendo a diferença para os Lombos. Benfica foi subindo de rendimento com o crescimento da Joana Soeiro que estava com um jogo mais apagado por estar marcada. Carolina Cruz ia estando muito bem nos Lombos, ia ajudando a que a equipa de Carcavelos estivesse melhor. Benfica melhora com um jogo mais simples, mais rápido e com a Soeiro a atrair mais as marcações, abrindo espaço para as colegas na defesa dos Lombos. A equipa e José Leite começou a errar mais, a fazer mais faltas e isso ajudou muito a equipa de Eugênio Rodrigues. Rapha cresceu e os Lombos cresceram, acaba por ser a Jade a fazer o 47-49 que recolocou os Lombos no jogo. Benfica com um jogo mais pausado, mais calmo e com a Mariana Silva a fazer a diferença. Para o último quarto, Marta Martins foi aposta no lado benfiquista. No lado dos Lombos, foi a Rapha a fazer maior diferença. O jogo exterior do Benfica ia sendo o melhor da equipa da casa, Japonica ia sendo decisiva, isto porque os Lombos deixaram de conseguir controlar a jogadora da equipa da casa. Japonica ajudou a que o Benfica conseguisse melhorar no jogo interior, os Lombos deixaram de ter um ascendente tão grande. Já nos últimos momentos de jogo, um lance em que a Rapha assume que toca na bola quando os árbitros iam rever, nem todas as jogadoras o faziam. Carolina Cruz com um grande desarme de lançamento já nos últimos segundos, a Joana Soeiro ainda lança, mas não consegue pontar no último lance do jogo.

https://twitter.com/fpbasquetebol/status/1385952586637926405?s=20

No segundo jogo, o Benfica venceu por 75-73. Japonica abriu o marcador, mas jogo desde cedo a ser muito animado, muito ativo e muito bom. Os Lombos começaram com jogadoras mais altas, procuraram muito a Carolina Cruz neste início de jogo que vencia nos duelos com a Mariana Silva. Transições rápidas do Benfica e Lombos com um jogo mais físico e forte nas tabelas. Laura Ferreira foi fundamental neste jogo e começou cedo a espalhar classe. Benfica ia tendo mais espaço e isso ajudou a que a Joana Soeiro fosse crescendo e começasse a fazer chover cedo. Do lado dos Lombos, novamente a Inês Vieira em grande, mais Soeiro significava mais e melhor Benfica e do outro lado, mais Vieira significava mais e melhor Lombos. Muita luta nas tabelas e uma Raphaella Monteiro apagada neste primeiro quarto, prova disso os 0 pontos neste quarto. A internacional brasileira depois de estar apagada, começa o segundo quarto em grande. No Benfica um 5 nacional, Mariana Silva, Mariana Carvalho, Laura, Marta e Ana Barreto, do lado dos Lombos era a Rapha que ia brilhando. As encarnadas passaram para uma marcação individual, sentiam mais problemas na luta das tabelas e cometiam mais turnovers. Lombos com mais agressividade e a vencer na luta das tabelas, estava aqui a chave deste jogo e quem vencesse ia conseguir ganhar este jogo. Benfica volta à defesa zona e com isso dá mais espaço para a Rapha brilhar. Japonica condicionada pelas três faltas, fez com que a Laura Ferreira crescesse ainda mais, foi determinante nesta vitória, estava em todo o lado, dos dois lados da quadra. Nos Lombos era a Carolina Cruz a estar em grande, um dos exemplos foi o triplo do meio da rua que a excelente base concretizou. Rapha depois dos 0 pontos terminou o segundo quarto com 14. No terceiro quarto, foi o Benfica a começar muito bem, com Joana Soeiro em Mariana Carvalho em grande. Um dos momentos de destaque neste início foi a “finta” de Carolina Cruz à Joana Soeiro, um movimento de classe desta enorme jogadora. Seguiram-se minutos loucos, muito intensos e com muita velocidade. Novamente grande destaque para a Soeiro e para a Vieira, as bases iam sendo novamente as estrelas das equipas. Benfica melhorou nos ressaltos ofensivos, muito pela Laura Ferreira. Os Lombos acabaram por quebrar com a saída da Carolina Cruz, condicionada com 3 faltas. No último quarto foi a Marta Martins a começar em grande. Rapha mais marcada, Lombos com mais problemas no jogo interior e com isso iam passando pior no jogo. Os ressaltos como sempre foram fundamentais, Kane brilhou muito no lado dos Lombos, ajudou a que os Lombos conseguissem se aproximar da equipa da casa. Jogo espetacular, emocionante e com excelente basquetebol do princípio ao fim do jogo. Nos últimos instantes de jogo Jade não conseguiu pontuar e assim os Lombos acabaram por perder. Grande jogo, espetáculo e basquetebol que conquista público. Maravilhoso! Destacar os festejos, as lágrimas de Laura Ferreira no final de jogo e Sofia Ramalho, uma jogadora fundamental nesta equipa do Benfica, é um dos braços direitos de Eugênio Ferreira, ajuda muito as mais jovens e foi uma jogadora que mais gosto deu ver festejar.

Com isto final entre o União Sportiva e o SL Benfica, que tem já o primeiro jogo no dia 2 de maio, no pavilhão fidelidade pelas 15 horas. Vai ser um jogo imperdível, um grande, grande jogo e não vai dar para deixar passar. Resta saber se Raquel Laneiro recupera e como Eugênio Rodrigues vai substituir Altia, será a Mariana? Algumas dúvidas, principalmente se Laneiro e Mazyck vão a jogo e em que estado as duas estão, mas vai ser espetacular esta final.

 

Venham os jogos desta enorme final!!!