[A dificuldade de ajudar um filho a decidir o desporto a praticar, levou-nos a convidar uma ex-atleta de alta competição, esposa de um ex-jogador de alta competição e mãe de 3 filhos atletas de alta competição a escrever sobre o assunto. É muito interessante perceber a forma como a Marise descascou a beleza do voleibol. A assertividade do texto pode realmente ser um empurrão para dizer “eu gostava que o meu filho(a) jogasse voleibol”.]

 

Antes de irmos aos argumentos, posso dizer que em casa somos uma família de desportistas e, o voleibol foi o desporto que alavancou este “gosto”, pois eu e meu marido fomos atletas de voleibol. Assim, sempre incentivamos nossos três filhos a praticarem desporto, desde pequenos. Todos experimentaram vários desportos ao longo da sua formação. No entanto, no caso do género masculino, penso haver uma maior divisão entre os praticantes pelas várias modalidades.

Foi o que aconteceu com meus dois filhos rapazes que, depois de passarem por vários desportos, estão se dedicando com êxito neste momento ao andebol, com muito orgulho meu e de meu marido.

No entanto, o Voleibol voltou a fazer parte da nossa rotina, pois minha filha, depois de passar por várias modalidades, como os irmãos, acabou por enveredar pelo Voleibol, o que nos deixou muito felizes, como é óbvio.

Apesar de ser um desporto amplamente praticado por homens e mulheres, parece haver uma “apetência” maior para o género feminino. Talvez o facto de não haver contacto físico entre os praticantes, seja a principal razão de as meninas (mas não só) gostarem tanto desde desporto.

O Voleibol é realmente um desporto apaixonante, difícil de explicar. Para mim, são muitas as razões para se apaixonar por este desporto. Porém, as que marcam mais a diferença talvez sejam:

  1. Além de ser um desporto coletivo, onde estão sempre seis em campo, cada jogada deverá passar sempre por duas ou três pessoas diferentes. Dificilmente um jogador ficará à margem do jogo. Cada um tem a sua posição em função do momento;
  2. Fisicamente, um desporto de movimentos rápidos (explosivos), tanto de pernas como de braços;
  3. Tecnicamente, um desporto com alguns gestos básicos que, aliados com os movimentos anti-naturais, torna-os de difícil execução. A sua concretização de forma satisfatória, já é uma vitória;
  4. Talvez a razão mais apaixonante, é que o voleibol é o desporto mais diferente comparando com todos os outros coletivos. Enquanto nos outros a base é a corrida (mais comum no ser humano), no Voleibol as finalizações das jogadas são sempre em “salto”. Ou seja, tentamos já fechar um ponto logo no “serviço” em salto; Tentamos finalizar no “remate” em salto ou num “bloco”, também em salto. Um movimento não natural em nós. Talvez aquela sensação de “voar” para concretizar um ponto faça toda a diferença.

Um Remate de cima para baixo, um Bloco-ponto, um Serviço em força ou tático, uma corrida para buscar uma bola de um ressalto, um mergulho ao chão. Cada gesto pode dar um ponto, um ponto pode dar uma vitória e uma vitória pode dar um campeonato que poderá ficar na história.

 

Marise Cavalcanti

Ex-jogadora de voleibol no Sporting CP