Zadar vai coroar a terceira dinastia da UEFA Futsal Champions League depois de dois anos de domínio ibérico

 

Kairat – SL Benfica –  28/04 às 14h00 

A busca pela glória perdida

São 7.245 quilômetros aqueles que separam Portugal e Cazaquistão. No entanto, esta quarta-feira, equipas dos dois países encontram-se em Zadar, na Croácia, para estrearem o palco da Krešimir Ćosić Arena nos quartos de final da UEFA Futsal Champions League. O Benfica conta com uma conquista europeia, enquanto o Kairat conta com duas, mas o histórico, ainda que breve, dá empate. Os cazaques são recordistas de presenças no torneio (17) e vão na sua nona participação em fases finais, por tudo isto sabemos que vai ser um grande jogo.

Na lista de confrontos entre ambas as equipas, apenas por uma vez vemos uma vitória acontecer no tempo regulamentar, este caso pelos encarnados (5-3). No outro encontro a terminar com um vencedor, ainda que nas grandes penalidades, os cazaques saíram vitoriosos. Inclusive, nesse jogo, do lado do Kairat, estava Hossein Tayyebi, que inclusive acabou por marcar um dos golos do duelo.

Além de Tayyebi, também Fernandinho vai reencontrar a sua ex-equipa, dois jogadores que vão querer vencer neste jogo mais especial para cada um deles. As duas formações chegam a este duelo em bons momentos de forma: o Benfica vem de três vitórias consecutivas e o Kairat não perde desde outubro, quando foram derrotados pelo Kaspiy Aktau por 5-0, na má entrada nesta época, depois a turma cazaque foi-se encontrando e neste momento têm 38 vitórias seguidas.

De olhos postos em…

Dentro dos jogadores em destaque no Kairat podíamos falar do Douglas Júnior, de Edson ou do Fernandinho, jogadores sempre capazes de mudar o jogo e de fazer a diferença, mas são uma equipa que tem o melhor guarda-redes do mundo, que além do que faz entre os postes, é um jogador que cria e tem, tal como Guitta ou Roncaglio, uma grande importância no processo ofensivo deste Kairat. A formação de Almaty joga com pivots mais móveis, seja Humberto ou Fernandinho, por isso mesmo vai ser um duelo interessante, pela forma como o Benfica joga, uma vez que sente mais problemas com equipas que optam por uma referência na frente. Sem Dudu e sem Sávio, Kaká vai optar por colocar em campo uma equipa menos posicional, apostando na velocidade e técnica de alguns elementos como Gadeia ou Edson.

O jogador que mais destacamos neste Kairat, é sem dúvida o Higuita, os cazaques são uma das equipas mais fortes e com mais soluções nesta fase final, mas Higuita tem uma influência enorme no jogo da equipa, tal como frisámos anteriormente.

No Benfica, falamos de uma equipa que vem de vencer o Braga naquele que foi um bom jogo de teste para esta UEFA Futsal Champions League. Joel Rocha viu Roncaglio regressar e com isso volta a ter uma das peças mais importantes do seu xadrez, sobretudo porque pode muito bem fazer a diferença neste duelo. Como se viu nos encontroos em que Roncaglio não jogou, a equipa encarnada sentiu mais problemas, por isso mesmo podemos contar com o Benfica na máxima força, uma equipa com soluções e que se adapta melhor a ataques rápidos e móveis como o do Kairat. As águias foram evidenciando algumas lacunas defensivas, não só pelos golos sofridos em alguns jogos, mas também pelos problemas sentidos com pivots mais fortes, ou ataques mais organizados, além do Benfica continuar com um 5×4 distante de equipas como o Sporting ou Kairat, por tudo isto será um duelo que não se pode perder.

Do lado do Benfica, vamos destacar o Chishkala, o russo pode ser uma das peças a desbloquear o jogo, podíamos destacar vários jogadores, mas para este duelo o ala é, para nós, aquele que mais pode ser mais criativo e criar mais dificuldades ao futsal praticado pela turma de Kaká.

 

FC Barcelona – FK Dobovec – 28/04 às 19h00

Poderão os estreantes surpreender os campeões?

Para o segundo jogo desta quarta-feira, temos um duelo entre duas equipas que nunca se defrontaram na história da competição. Os eslovenos fizeram história ao serem a primeira equipa do país a chegar à fase final da prova e, não só por isso mas pela a sua ambição, vão tentar causar a maior surpresa deste torneio ao lutarem por afastar já os atuais campeões.

O Barcelona vem de duas vitórias seguidas. Estamos a falar de um emblema que conquistou em casa a última edição desta prova, mas que ao longo da temporada tem vindo a revelar alguma irregularidade, prova disso são as nove derrotas e oito empates até este momento. Do lado da equipa menos cotada, aquela que é a menos favorita entre todas estas oito formações, surgem muitas interrogações, mas devemos ter em atenção que os eslovenos surgem sem uma única derrota e apenas um empate em 24 jogos na temporada. Podemos esperar um Barcelona com o português André Coelho de início, acreditamos que o internacional ex-Benfica vá ser lançado, em alguns momentos com Marcénio e outras apenas a ser ele a assumir o lugar de fixo nesta equipa de Andreu Plaza. São muitas as soluções dos catalães, mesmo sem Lozano, encontramos opções para todos os gostos: desde Ferrão, a Daniel ou Esquerdinha, encontramos muita qualidade que permite ao emblema da Catalunha abordar o jogo de várias formas, menos a de guarda-redes avançado, pois Plaza não opta por essa solução.

De olhos postos em…

O jogador que vamos destacar neste Barcelona é Ximbinha, o pivot pode ser a peça capaz de fazer a diferença, aquele jogador que não precisa de muito, mas que é capaz de alterar o rumo de qualquer partida, em qualquer circunstância.

Passando ao Dobovec, a formação menos conhecida, mas que não é por isso que não tem as suas armas. Uma equipa consolidada, longe da profundidade ou dos nomes do Barça, encontra o seu jogo assente nos croatas, no caso, Novak, Matosevic e Peric, um trio que chega a esta até aqui pela mão do Morina, o treinador croata que consolidou este Dobovec como a melhor equipa da segunda linha de clubes do futsal europeus. Dentro deste plantel temos de referir um jogo não tão vistoso, mas que tem a sua ideia bem trabalhada e enraizada em cada um destes jogadores, que sem tantas estrelas capazes de desequilibrar, tem em Kleminho o seu elemento mais criativo.

Do lado do Dobovec, vamos destacar um dos croatas, neste caso Matosevic. O ala que é capaz de criar, de dar profundidade e que garante golo, para nós é o elemento que mais pode fazer a diferença para o lado dos eslovenos.

 

Inter Movistar – Gazprom Ugra – 29/04 às 14h00

Penta contra as dúvidas russas

O primeiro confronto do segundo dia de competição, marcado para quinta-feira, vai colocar frente a frente a única equipa que é pentacampeã na história da competição e os russos do Ugra, que surpreenderam e venceram na estreia desta prova. Duas equipas que estão longe dos melhores plantéis, mas que já deram mostras que não precisam de muito para surpreender.

Do lado espanhol, deparamo-nos com uma equipa que perdeu a maioria das estrelas dos últimos anos, mas mesmo com alguns percalços já venceu uma Supercopa e uma Copa de Espanha. O Inter com Tino Pérez é uma equipa com menos nomes e mais alma, raçuda e capaz de dar a volta a qualquer situação, e mesmo que sem um futsal tão perfumado de outras equipas consegue ganhar e é capaz de tudo. Este Inter é uma formação à imagem de Tino Pérez: muito compromisso e muita união para todos juntos ultrapassarem tudo e todos.

De olhos postos em…

Neste Inter, vamos destacar Pito que, sem sombra de dúvidas, é a grande figura desta equipa, mesmo com Saldise ou Martel em grande forma, Pito é o nome mais capaz de mudar e alterar o jogo, algo que já o mostrou por inúmeras vezes.

Saltando para o Ugra, encontramos uma equipa distante da que derrotou este Inter em 2016, na final de Guadalajara. Temos uma formação que sem Kaká joga muito menos e que está longe de ter os nomes desses tempos. Este Ugra é experiente e é nesse ponto que está assente o seu jogo, a começar pelo guardião georgiano, Kupatadze, passando por nomes como o russo Davydov ou Lyskov, atletas experientes e com anos de futsal que garantem muita maturidade à tática russa. Dentro desses nomes temos de destacar o pivot, Ponkratov, um jovem russo que se tem vindo a afirmar. Por sua vez, encontramos demais dificuldades para esta formação apesar da goleada recente que imprimiram no KPRF, isto porque tem vindo a apresentar alguns problemas defensivos e nos últimos dez jogos venceu apenas três.

No Ugra optámos por destacar Chimba. Como já referimos, a equipa é muito experiente, tem vários elementos como o Katata ou o Vilian capazes de criar e de dar uma “sacudida” no jogo, mas Chimba é a grande estrela, o melhor jogador desta equipa e aquele jogador capaz de “carregar” a equipa e de inventar algo necessário que pode valer as ‘meias’.

 

 

Sporting CP – KPRF Moscovo – 29/04 às 19h00

Luta de classes pelo reinado do futsal europeu

Para terminar o segundo dia – e os ‘quartos – temos aquele que é um dos jogos mais aguardados desta fase. De um lado, o Sporting, a equipa que venceu a primeira edição da UEFA Futsal Champions League, que nas últimas três participações chegou até à fase final e que vai querer vencer enquanto ainda tem alguns dos melhores do mundo. Do lado russo, uma equipa forte, mas que vai apenas para a sua segunda participação numa altura tão avançada da prova.

O Sporting chega a esta fase final sem uma única derrota na época e com uma equipa bem consolidada. Mesmo que com menos soluções em comparação à conquista de 2019,  os verdes e brancos têm sabido dar a volta às circunstâncias e aguentar tudo isso mais a ausência de muito peso que é Cardinal. Além disso, os leões ainda têm visto os “miúdos” a crescerem e a assumirem um peso grande dentro da equipa, como é o Caso de Zicky ou Tomás Paçó. O grande trunfo do Sporting é Nuno Dias, o treinador da equipa de Alvalade é o ponto mais forte e mais seguro dos leões, numa luta de bancos que se espera intensa.

De olhos postos em…

Do lado leonino podíamos destacar vários jogadores como Merlim ou Guitta, mas vamos acabámos por escolher Rocha. O pivot brasileiro pode ser o nome a fazer mais diferença – perante a ausência de Rômulo no KPRF o lugar de fixo deve ficar a cargo de Nando, isto porque a equipa vai jogar em 2-2, com Nando e Nyazov – e por isso um jogador como Rocha pode ser fundamental para desestabilizar o encontro, além de ser difícil de parar nos momentos ofensivos individuais.

Estes russos são uma equipa que apostou na juventude do seu país, com uma certa renovação neste conjunto que é apoiada nos jogadores brasileiros mais experientes e com mais capacidade técnica. Do lado do partido comunista a grande ausência é o Rômulo, o fixo é um nome de classe mundial e, por isso mesmo, a sua ausência pesa e vai sempre pesar nesta equipa. Este conjunto russo tem revelado vários problemas nos últimos jogos, venceram apenas um dos últimos cinco encontros, perderam um e empataram outros três, mas além disso mostraram problemas na defesa e na organização da equipa, tanto pelo espaço concedido, como pelas fragilidades em alguns momentos defensivos. Como se isto não bastasse, nos últimos jogos têm vindo a revelar uma equipa previsível, um jogo mais “mastigado” ou mais sobre os ombros de algumas individualidades, com isso o processo ofensivo do grupo acaba por estar abaixo do que os leões apresentam nesta altura.

Podíamos falar de vários elementos como Asadov ou Paulinho, mas para nós o jogador que mais pode marcar a diferença para o lado da equipa de Moscovo é o Raul Gómez. O ala espanhol que joga e se tem vindo a cimentar como a referência ofensiva da equipa é o mais capaz de aguentar a bola, de marcar e de transformar o jogo para o lado russo.

 

 

Estão lançados os quartos de final da UEFA Futsal Champions League, jogos imperdíveis e de grande ansiedade para saber quem vai suceder ao Barcelona e assim ser coroado o rei do futsal europeu em Zadar.

 

Este artigo foi escrito a quatro mãos, pela Maria Pinto Jorge e o José Andrade