Vamos falar do primeiro jogo da final da Liga Skoiy, grande duelo e com algo que ninguém contava, um jogo desequilibrado, por tudo isto, este primeiro jogo sorriu às águias, que entraram com tudo e mostraram toda a sua capacidade e qualidade. Eu venho falar deste jogo, ainda com alguns dos lances na cabeça, a desejar o terceiro duelo e ainda à procura de novas formas de elogiar algumas jogadoras.

Para começar, dois momentos das redes da Federação Portuguesa de Basquetebol, o primeiro para a jogadora em destaque neste jogo e o segundo para uma jogadora que impressiona sempre.

Neste primeiro, Mariana Silva que fez esquecer a Altia Anderson, que fez um jogão e que impressionou tudo e todos, mostrando mais uma vez a ótima jogadora que é. Foram 26 pontos, 11 ressaltos, 1 assistência e 1 roubo de bola, uma enorme exibição e por isso mesmo a merecer todos os destaques.

 

O segundo momento é de uma jogadora que eu sou muito fã, que foi destacada e falada em todas as conversas que temos vindo a ter no Modalidades com Voz e que mesmo lesionada, joga acima da média, joga mais que a maioria e se fossem necessárias mais provas para mostrar a qualidade da Raquel Laneiro, este tiro está aqui para arrebatar todos os fãs de basquetebol. É ser repetitivo, mas joga muito e mais uma vez se vai ver isso no “resumo” do jogo.

SL Benfica 91 – 72 União Sportiva

Um jogo menos equilibrado do que o esperado, ninguém esperava que o Benfica vencesse com esta diferença, mas reflete bem a muita qualidade que a equipa de Eugênio Rodrigues tem e o jogo, no caso a entrada menos boa do Sportiva. Curiosamente até foram as açorianas a marcar primeiro, mas não demorou para as encarnadas assumirem o controlo do jogo e com isso a diferença começou a crescer cedo. Benfica mais forte no jogo interior, junto a isso uma Benfica muito rápido e com uma entrada em grande, as bolas iam caindo e o Sportiva começava a revelar alguns problemas, tal como nos jogos anteriores, o Sportiva entrou mal com o Benfica, a própria Raquel Laneiro falou na nossa conversa anterior, era um dos pontos que tínhamos mais curiosidade perceber, se o Sportiva ia entrar bem, mas a verdade é que a entrada da equipa de Ricardo Botelho não foi a melhor e acabou por condicionar o jogo todo das açorianas. Benfica ia dominando nos ressaltos, o que não era de esperar, mas muito pela Japonica que começou em grande e pela Mariana Silva que cedo mostrou ao que vinha. A equipa dos açores melhora depois da paragem de jogo pedida por Ricardo Botelho, mas mesmo assim continuavam a errar muito mais do que esta equipa joga. Do lado do Benfica várias jogadoras muito bem, podíamos destacar várias jogadoras, mas mais uma vez um dos destaques ia e foi sendo a Laura Ferreira, mais uma vez uma das melhores jogadoras na quadra. Raquel Laneiro entrou com 5:20 para jogar, mais uma vez a ser gerida, mas perante tantos problemas na equipa do Sportiva, Laneiro teve de saltar, para pegar na bola e fazer o que ela tão bem faz, assumir o jogo e brilhar com os seus passes e momentos mágicos.

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O Sportiva melhora com a entrada da Laneiro, como já todos sabemos faz toda a diferença, é uma jogadora que muda um jogo mesmo a 20%, além dela também a Emília Ferreira entrou muito bem, mais uma jogadora que ajudou o Sportiva a melhorar. Do lado encarnado, a Marta Martins também entrou muito bem, apareceu logo em grande na primeira vez que toca na bola e mais uma vez se pôde ver toda a sua qualidade, que é muita. A 2:34, a lesão da Gabi que torce o pé acrescenta outro problema à equipa do União Sportiva, porque mesmo sem a Gabi estar a fazer o seu melhor jogo, é uma jogadora que tem um peso muito grande na equipa de Ricardo Botelho. Do lado encarnado continuava a superioridade no jogo interior, continuava a Japonica a dominar na área pintada, a Laura Ferreira em grande nos dois lados do campo e no Sportiva iam-se acumulando erros e perdas de bola. Um dos melhores momentos do Sportiva na parte final do primeiro quarto, pertenceu à Vânia Sengo que ganhou à Ana Barreto de uma forma deliciosa e muito bem trabalhada. Final do primeiro quarto, 28-16, Benfica entrou melhor, geriu o jogo, Sportiva com muitos turnorvers, mais falhas e estranhamente a perder os duelos das tabelas.

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O segundo quarto começa com a Ana Barreto a atirar muito bem, um triplo lindo para começar da melhor maneira.  Raquel Laneiro continuava em quadra e ia fazendo a diferença, ia sendo das melhores, mesmo com todos os problemas que o Sportiva apresentava, mas a bola naquelas mãos tem sempre um tratamento diferente e por isso mesmo a Laneiro ser tão elogiada, mesmo no meio de erros, ela consegue sobressair. Ela que vai descansar a 7:45 entrando a Ana Ramos, bases diferentes, mas a Ana também entrou muito bem, surgiu logo em grande no ataque. No Benfica ia aparecendo ainda mais a Ana Barreto, grande talento que neste jogo foi crescendo, principalmente neste segundo quarto, onde foi subindo de nível. Joana Soeiro no primeiro lançamento que tentou, fez chover, um belo tiro da Joana, uma jogadora que neste jogo esteve menos em destaque e Eugênio deu-se ao luxo de a poder poupar.

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Do lado do Sportiva, sempre que a equipa tentava melhorar, voltavam os erros e as faltas de concentração, do outro lado a equipa da casa, continuava a gerir o jogo, a controlar e por cima. Nausia Woolfolk estava “desaparecida” e também por isso, o Sportiva tardava em entrar no jogo, uma das vezes que esteve bem, foi uma penetração onde mostrou mais uma vez a sua qualidade e como faz a diferença, por isso mesmo estando mais apagada o Sportiva ia sentindo mais problemas. Mariana Silva, já destaquei, mas vou destacar muito, ia estando impecável, ia controlando nas tabelas, ia brilhando nos dois lados do campo, ganhando posições e no ataque aproveitando as triangulações, ia estando muito bem e o grande jogo do Benfica foi muito pelo que a Mariana jogou. Outra jogadora que já destaquei e que volto a destacar é a Marta Martins que ia estando mais uma vez em grande e mostrando a todos nós a muita qualidade que ela tem.

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Do lado do Sportiva, a equipa visitante melhorou quando a Nausia apareceu mais em jogo, como esperado a melhoria da Nausia, foi a melhoria do Sportiva, depois disso Ricardo Botelho teve de lançar de novo a Laneiro, para ter alguém que pensa o jogo de outra forma e a verdade é que as açorianas melhoraram, equilibraram mais o jogo e levaram a partida a 5 pontos para o intervalo.

No terceiro quarto, volta a ser o Benfica a entrar em grande, logo na saída de bola do Sportiva a Joana Soeiro rouba a bola e ajuda a que as encarnadas comecem mais fortes. Nos duelos, Mariana Silva ia jogando muito bem e ganhando no duelo com a Gabi, ia sendo uma grande luta, mas a Mariana ia dominando. Depois disso um dos momentos do jogo e que eu destaco logo no início que foi a Laneiro a atirar dos açores, foi de longe foi o lance mais espetacular do jogo e que todos falaram, sem dúvida que foi merecido para a Laneiro que jogando lesionada e condicionada conseguiu mesmo assim fazer a diferença, ser das melhores e nesta altura já sobram poucas formas para a elogiar. Além da espetacularidade deste lance, prova também como o Sportiva estava melhor, nesta altura até a começar a estar por cima e a jogar bem, longe da equipa que iniciou o jogo.

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O fator determinante, voltou a ser a luta dos ressaltos, o Sportiva começou a ganhar maus duelos, garantindo assim mais segundas bolas e o amior problema para a equipa visitante continuavam a ser os turnovers. Mesmo com esta melhoria das açorianas, o Benfica ia continuando por cima e com uma vantagem ainda segura. Só quando a vantagem passou a estar a apenas 12 pontos é que se viu o pior Benfica, perdiam o controlo do jogo, deixavam de estar tão confortáveis e a equipa de Ricardo Botelho ia crescendo, reduzindo a desvantagem e equilibrando a partida, animando assim ainda mais um belo jogo de basquetebol.

Do lado da equipa da casa, continuava a ser a Marta Martins a ser um dos maiores destaques, aquelas penetrações da Marta iam sendo do melhor para o Benfica e ia fazendo a diferença para que a vantagem não caísse tanto. Do lado do Sportiva, apareceu em grande a Mazyck neste final de quarto ajudando a que a desvantagem fosse reduzida, passasse a ser de apenas 11 e a equipa açoriana estava mesmo a melhorar e a crescer na partida. Benfica tinha ainda uma margem confortável, mas o Sportiva foi melhor neste terceiro período, esteve muito bem e foi onde errou menos, mas a diferença do primeiro período parecia impossível de acabar para o lado do Sportiva, Benfica mesmo com menos conforto, continuava muito bem. Um terceiro período onde aconteceu um empate a 18, aqui também se vê que mesmo um Sportiva melhor era incapaz de esbater a diferença.

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No último quarto, o Benfica voltou a entrar melhor, Japonica a ser a quem coube a honra de abrir o período. No lado da equipa visitante, saiu Laneiro entrou a Sofia Ferreira, mais uma vez entrou bem, animou o jogo e tentou desde a primeira vez que teve a bola nas mãos fazer a diferença. Ana Ramos continuava bem, destaque pelas movimentações, o pick and rol foi destacado pela narração e muito bem, a Ana esteve sempre muito bem e foi ela que colocou a desvantagem para o Sportiva a apenas 7 pontos. Quando isto aconteceu, o Benfica “acordou” e voltou a melhorar, muito porque as açorianas continuavam com muitos turnovers, erros a mais para esta equipa e sempre que o Sportiva errava o Benfica conseguia aproveitar, penalizando assim ainda mais a equipa visitante. No lado da equipa de Ricardo Botelho, destacar a boa entrada da Inês Bettencourt, mais uma vez a entrar bem, como quase sempre, mais uma jovem jogadora talentosa que por norma entra sempre bem. Sportiva acaba por perder pelos erros que cometeu, muito anormal para esta equipa, ainda mais nesta final. O Benfica foi superior, aquela entrada com tudo foi fulcral para este primeiro triunfo. Destacar a entrada de Sofia Ramalho, esteve em campo uns minutos e conseguiu logo um triplo, espalhou classe como sempre e mostrou que se estivesse em outra equipa iria ser como sempre uma das melhores jogadoras, é sempre ótimo ver a Sofia jogar, uma figura ímpar do basquetebol nacional, que como eu disse mesmo em poucos minutos espalhou classe como poucas jogadoras conseguem.

Fica um primeiro duelo menos equilibrado do que o esperado, um belo jogo, um Benfica muito forte e um Sportiva a errar mais do que o normal. Todos os ingredientes para um segundo jogo de alto nível e com muita intensidade, já sabemos do que este Benfica é capaz e em nenhum momento a equipa de Eugênio Rodrigues vai querer baixar de nível, sabendo ainda que o Sportiva é uma excelente equipa e que não repete nunca os mesmos erros, este jogo não demonstrou nada a qualidade e o que por norma a equipa dos açores joga. Vamos ter um segundo jogo e esperemos que um terceiro e de certeza que vão ser hinos ao basquetebol.

Este sábado, dia 8 de maio pelas 14h voltamos aos açores para o segundo jogo desta final e esperemos que no domingo se realize o terceiro jogo, que caso seja necessário e vamos todos continuar a desejar isso, se vai realizar pelas 14h novamente.

Basquetebol da melhor qualidade, duas excelentes equipas, jogadoras que impressionam pelo que jogam e esperemos que a final vá a terceiro jogo, sem dúvida que a final da Liga Skoiy merece três jogos de altíssimo nível.