Depois de alguns dos melhores jogos desta época, vamos entender onde cada uma das equipas se destacou e quais os pontos mais fracos quando nos encontramos à porta de todas as decisões. Ainda antes disso, passamos os olhos pelas formações que ficaram pelo caminho nos ‘quartos’: Modicus, Viseu 2001, Braga e Portimonense.

Os quatro dos ‘quartos’

Modicus: O regresso aos play-off’s 

  • Boost da época 

O melhor momento da época da equipa de Sandim foi a série de cinco vitórias consecutivas entre 28 de Novembro e 3 de Janeiro, tendo terminado com uma derrota frente ao Benfica (4-0). 

Por sua vez, Fábio Lima foi o destaque da época a nível individual. O ala foi o atleta que mais golos marcou e quem mais assistiu, além disso foi sempre o jogador com o sinal de + (mais) da equipa e o mais regular. 

  • A aposta nos ‘quartos’

Frente aos Leões de Porto Salvo, a equipa do Modicus bateu-se de frente. Ainda que com menos opções, a equipa conseguiu vender cara a eliminação. 

Foram dois dos melhores jogos da época – e provavelmente os melhores dos play-off’s até ao momento -, com muita disputa e duelos individuais. Ainda assim, a diferença esteve na maior qualidade e profundidade dos Leões. 

Viseu 2001: Sem força para as cerejas

  • Boost da época 

O melhor momento da época da equipa para os homens da terra de Viriato foi a primeira metade da Liga Placard, quando a formação do centro do país conseguiu produzir bom futsal e subir aos primeiros lugares. Mesmo com a quebra apresentada na fase final, foi esta primeira metade que ajudou a que a equipa estivesse nesta fase. 

Rafael Stocker foi o maior destaque individual da época do emblema de Viseu, tornando-se o melhor marcador e uma das peças mais importantes da equipa de Paulo Fernandes.

  • A aposta nos ‘quartos’

O Fundão acabou por ser bastante superior. Vimos a equipa de Viseu novamente a sentir problemas quando a jogar diante de formações mais organizadas, tendo em conta que nem uma estratégia mais defensiva ajudou a parar os comandados de Nuno Couto. 

No primeiro jogo, ainda tentaram mudar a sua forma de jogar: apostando em Russo e em Lucas Otanha, jogando assim sem uma referência ofensiva, isto porque Kiko não entrou de início e, com isso, o Viseu mostrou-nos um cinco mais móvel na busca de desmontar o Fundão. Esta estratégia não deu resultado e a prova disso foram as mudanças no jogo dois, em que o pivô se apresentou como titular e Pedro Peixoto rendeu Russo.

Braga: Distante do passado recente

  • Boost da época 

Depois da pior fase regular em vários anos, a equipa de Braga enfrentou o Benfica e recordou o que tinha vindo a mostrar até então: muitas dificuldades que frente a uma equipa mais organizada como os encarnados ficaram ainda mais evidentes. A época ficou marcada pela troca no banco, onde a substituição de Paulo Tavares por Bruno Guimarães acabou por ter o impacto qualitativo que se esperava. A melhor fase da temporada foi já em 2021 quando a equipa arsenalista conseguiu uma série de cinco vitórias consecutivas. 

Vitor Hugo foi o destaque individual na equipa de Bruno Guimarães. O guardião mostrou-se, novamente, o ‘colete salva-vidas’ da formação minhota, ao aguentar em muitas circunstâncias o navio e segurando em inúmeros os maus momentos de toda a equipa.

  • A aposta nos ‘quartos’

Nos quartos, a equipa de Braga foi goleada pelas águias no segundo jogo por um expressivo e claro 8-3. Já depois da derrota por 4-1 no primeiro jogo, em todos estes encontros falamos de um Braga que foi evidenciando sempre várias lacunas que a equipa de Joel Rocha soube aproveitar. 

O melhor momento nestes ‘quartos’ foram os 20 minutos iniciais em Braga, onde se viu mais qualidade da equipa minhota. Falando ainda na única mudança nos dois jogos, a aposta em Bolt no primeiro encontro e em Sérgio Costa no segundo, denotamos uma tentativa de apostar em jogadores diferentes sem mexer na estrutura habitual da formação e sem alterar a espinha dorsal do conjunto de Braga. 

Portimonense: Miranda, quando a idade finta a experiência

  • Boost da época 

A equipa de Portimão sempre foi deixando a ideia que podia fazer mais, a qualidade e profundidade do plantel deixaram ao longo de toda a temporada a ideia de que a equipa iria chegar longe: confirmou-se. A fase inicial de época e de 2021 foram os melhores momentos da formação algarvia, isto porque foram as duas alturas onde a equipa conseguiu uma sequência melhor de resultados e de exibições, todas elas bastante regulares.

Júnior foi, sem dúvida, o maior destaque individual ao longo da temporada. O jovem foi o terceiro melhor marcador da fase regular e um dos talentos que mais cresceu nesta Liga Placard, sobretudo aquando da mudança dos Lombos para Portimão, sendo mesmo um dos melhores jogadores da edição 2020/2021.

  • A aposta nos ‘quartos’

No duelo com o Sporting a equipa de Pedro Moreira foi incapaz de mostrar toda a sua qualidade. A discrepância foi enorme e a superioridade do Sporting inquestionável. O Portimonense encontrou em Nuno Miranda a peça ‘mais’ neste jogo dos quartos, o ala português mostrou o porquê de ser um dos jogadores mais desequilibradores do futsal nacional com vários pormenores de qualidade. 

Em relação à equipa, observámos muitos problemas na construção, incapacidade para segurar a formação do Sporting e só conseguiu criar perigo através de ataques rápidos ou da qualidade de alguns elementos, sendo este o momento em que destacamos as exibições de ‘Mirandinha’, jogador que procura – e merece – voos mais altos para a sua construção individual. 

Depois de analisadas as épocas daqueles que ficaram muito perto de uma época de sonho, passamos aos quatro finalistas do momento: Leões de Porto Salvo, Fundão, Benfica e Sporting. Por sua vez, a configuração destas ‘meias’ já está definida, teremos um Fundão-Benfica e um Leões de Porto Salvo-Sporting, eliminatória esta a ter início já no sábado (22 de maio).

Leões de Porto Salvo – Sporting: Qual leão irá rugir mais alto?

Leões de Porto Salvo: Onde a experiência se une com a rebeldia

  • Pontos fortes

  • A profundidade da equipa;
  • As várias soluções táticas;
  • O jogo de Pivots: André Galvão e Papa Unjanque; 
  • Aposta na irreverência: Dani, Daniel e Wesley;
  • Jogadores com muito andamento: Ré, Cary e o Bebé.
  • Pontos fracos

  • Problemas defensivos constantes;
  • Dificuldades no 5×4;
  • Irregularidade de alguns elementos chave;
  • A demora para mudar nos maus momentos

Sporting: Em busca do terceiro caneco

  • Pontos fortes

  • A magia e qualidade individual de alguns elementos: Merlim e Pany;
  • A segurança de Guitta;
  • Firmeza no 5×4;
  • A segurança defensiva;
  • Laboratório de bolas paradas.
  • Pontos fracos

  • Excesso de agressividade em alguns momentos;
  • Facilidade na chegada rápida às cinco faltas;
  • Desconcentração no início do encontro.

Fundão-Benfica: Cerejas em busca de tombar o gigante

Fundão: Maior desafio à organização do Couto

  • Pontos fortes

  • Equipa extremamente bem organizada;
  • A qualidade e maturidade de alguns elementos: Mário Freitas à cabeça;
  • Segurança defensiva;
  • Várias soluções táticas;
  • Uma das equipas surpresa da Liga;
  • Qualidade de jogo com os pés do Luan.
  • Pontos fracos

  • Falta de profundidade;
  • Alguma inexperiência;
  • Poucas opções para a frente de ataque.

Benfica: Obrigado a vencer 

  • Pontos fortes 

  • Qualidade individual: Robinho e Chishkala;
  • Pé quente para o golo;
  • Banco com muitas soluções: Silvestre e Arthur
  • Recuperação de lesões para os play-off’s;
  • Experiência em momentos de decisão.
  • Pontos fracos

  • Irregularidade de Roncaglio na baliza;
  • Poucas ideias vindas do banco;
  • Problemas defensivos;
  • 5×4 nada trabalhado;
  • Peças-chave abaixo do esperado.

Começam amanhã as duas meias-finais da Liga Placard. Por aqui, esperamos encontros de alta qualidade e bom futsal, com as surpresas que a modalidade já nos habituou. Leões de Porto Salvo-Sporting pelas 19h00 e Fundão-Benfica pelas 14h00. A não perder! Voltamos a ver-nos antes da final. 

 

Texto escrito a quatro mãos, por Maria Pinto Jorge e José Andrade