Esta semana, a Maria e o José optaram por trazer até ao Modalidades com Voz um problema que vem a persistir no Sporting, sendo este final de época um do seu auge: o tratamento e a comunicação existente (ou inexistente) sobre o desporto feminino do clube de Alvalade. Vamos por pontos, para não nos esquecermos dos temas mais relevantes.

  • Comunicação das saídas

Optámos por começar por aquele que é o assunto que mais tem incomodado e gerado polêmica nas redes sociais. Terminaram as épocas, logo, existem saídas, como sempre. Ainda assim, apesar de já termos como ‘oficial’ que algumas das atletas leoninas não farão parte dos quadros verdes e brancos na próxima temporada, o Clube, ou qualquer um dos seus órgãos oficiais – Sporting TV e Jornal Sporting – não fizeram qualquer menção a nenhuma delas.

Coloca-se a pergunta base: “Então, como sabemos que vão sair?”. Parece que, nestas transferências de verão, optou-se por inovar – que o leitor denote, aqui, alguma ironia – ao serem as próprias atletas a anunciarem as suas saídas. De que forma? Simples: redes sociais.

Na lista que colocamos mais abaixo, dividida por modalidades, podemos encontrar as mais variadas jogadoras, sendo que todas elas se despediram do Sporting através do Facebook, Instagram ou Twitter. Basta acessarmos aos seus perfis para confirmarmos. A publicação de despedida de um clube é algo já clássico em qualquer que seja o emblema, essa não é a questão, mas sim a falta dos habituais comunicados que os leões tinham por hábito lançar onde desejavam as suas ‘automáticas’ “maiores felicidades pessoais e profissionais ao atleta e agradece todo o profissionalismo e empenho que sempre demonstrou ao serviço do Clube”.

Neste ponto interessa-nos pouco os motivos das suas saídas. Se uma melhor proposta, desavenças com o clube, pouco rendimento, o que seja, a verdade é que o desporto masculino, em clara dicotomia, já está mais que lançado nestes comunicados, algo que não tem vindo a acontecer com o feminino.

  • Como foi ao longo da época?

Para sermos honestos, para a infelicidade deste clube eclético, ao longo da temporada desportiva, várias foram as jornadas em que os confrontos das equipas femininas acabaram por passar em claro. Os lançamentos dos jogos, as transmissões, os ‘ao minuto’, ou até mesmo os resultados no final de cada partida mostraram-se menosprezados nas redes sociais verdes e brancas. Se no que toca ao masculino não verificamos isso, por vezes, até sem a existência de jogos em simultâneo, as leoas passaram ao lado, sendo o caso mais sonante o do Twitter das Modalidades do Sporting Clube de Portugal.

Além de referirmos as menções ao espaço internet, é sempre relevante realçar o facto de muitas vezes as equipas femininas não terem tido a possibilidade de utilizar o Pavilhão João Rocha em rondas de jogos ‘caseiros’, mas passadas para o Multidesportivo de Alvalade, com menores condições para a prática das demais modalidades.

 

  • Lista de saídas

Futebol Feminino:

O Sporting acaba por não conquistar o título, perdendo na última jornada frente ao eterno rival e, como é normal, foram muitas as questões levantadas sobre o futuro da equipa. Os rumores cedo surgiram e confirmações até ao momento, apenas os posts de despedida nas redes sociais de Raquel Fernandes e Patrícia Morais. Depois, o caso mais revelador, o de Ana Capeta, pois ela ainda não disse nada, não se despediu, mas um familiar surgiu nas redes sociais a falar sobre o futuro da atacante portuguesa, depois disso, o Lado F publicou a notícia que já garantia que o destino da jovem era mesmo a Holanda, mais concretamente o PSV.

Susana Cova acaba por ser a exceção à regra em toda esta situação, tendo sido esta terça-feira anunciada a sua saída. Esta ‘alteração’ acaba por ser de explicação simples: a sua saída tem vindo a ser pedida pelos Sportinguistas, logo, é quase que uma conquista nas redes sociais.

 

Futsal Feminino:

No caso do futsal feminino, a situação é diferente, para pior. A época correu longe daquilo que todos pretendíamos e ficou evidente desde cedo a diferença de tratamento para com esta equipa, até mesmo em comparação com todos os outros plantéis femininos das restantes modalidades. Os episódios foram muitos e todos eles longe do que deveria ocorrer no Sporting. Na questão das saídas, para já a confirmação do adeus ao timoneiro das últimas duas épocas, Rui Ferreira, que no total levava cinco anos de clube e que todos os adeptos foram informados do seu despedimento através de uma notícia da Zona Técnica.

No que toca a jogadoras, temos, para já, o caso da Cristiana Dias, o anúncio veio através das suas redes sociais.

 

Voleibol Feminino:

Passando para o voleibol, aqui o caso muda, porque falamos de uma modalidade que a nação verde e branca foi acarinhando com o decorrer da época, ao ponto da equipa ter terminado com os adeptos unidos no apoio a estas leoas. Em relação às saídas, a situação piorou, pois a confirmação da despedida de duas das melhores jogadoras veio quando ambas foram apresentadas na AJM/FC Porto. Falamos de Ana Couto e Bruna Gianlorenço, duas das jogadoras mais acarinhadas pela massa adepta e peças fundamentais da equipa. As outras saídas que são conhecidas de momento são as da Beatriz Rodrigues, que vai para os EUA prosseguir os estudos e a carreira numa oportunidade imperdível para qualquer um e, ainda, a saída de Gabriella Rocha, que já se despediu do clube, tal como todas as outras através das redes sociais e sem uma única palavra do Sporting, onde acabou por ainda referir que já tem clube escolhido.

 

Ténis de mesa:

No caso da mesatenista Bruna Takahashi, esta foi mais uma surpresa para todos. A atleta canarinha foi uma grande aposta do clube para o ténis de mesa e para o projeto olímpico e foi com enorme estranheza que todos os adeptos viram a sua saída, com um post nas redes sociais já no aeroporto de Lisboa a anunciar o seu regresso ao Brasil.

Falamos de uma atleta que foi cara do clube em diversas campanhas e uma das bandeiras na nova fase de ambição olímpica dos leões.

 

Judo:

No caso da Daria Bilodid, a ucraniana foi também ela uma aposta para o projeto olímpico e usada para campanhas de marketing. A sua saída envolveu muita polémica, já em janeiro deste ano. A judoca acabou por sair sem uma única palavra do clube, depois de várias vitórias conquistadas e, tal como no caso das jogadoras de voleibol, só se soube quando ela foi anunciada no seu novo clube, no caso os ucranianos do Spartakivets SC. Nem com uma das melhores judocas do mundo a postura pública do Sporting foi diferente

 

Hóquei em Patins:

O estranho caso de Inês Vieira

Não se trata de uma saída, nem nada semelhante, mas optámos por colocar neste artigo a Inês Vieira, do hóquei em patins, porque achamos que reflete bem a forma como o Sporting lida com o feminino, neste caso indo buscar uma atleta para a deixar de lado durante seis meses, sem jogar e numa situação que não é digna do desporto e muito menos de um clube como o Sporting.

 

Até ao final do mercado de transferências mais serão, certamente, as saídas e entradas nas modalidades femininas em Alvalade. No entanto, essas acabam por ser inevitáveis, já a mudança de atitude pode – e deve – dar uma volta para com as suas atletas.

 

Este artigo foi escrito a quatro mãos, pela Maria Pinto Jorge e o José Andrade.