Esclarecimento prévio: sim, vamos falar sobre desporto. E sim, vamos meter a Patrulha Pata ao barulho. Estranho? Só para quem não conhece a Patrulha Pata, é mais do que sabido que eles estão sempre presentes quando é hora de ajudar e proteger a comunidade. 😊

Ser mãe/pai é, porventura, o maior e o mais exigente projeto que qualquer um de nós pode ter pela frente. É verdade que há profissões muito exigentes, cujas falhas poderão ser fatais. Mas estamos sempre a falar de exigências limitadas no tempo, ou porque mudamos de emprego ou, no limite, porque nos reformamos. Já a profissão de mãe/pai não tem prevista idade de reforma. Somos postos à prova desde o dia que assumimos esse estatuto e jamais deixaremos de o ser. Somos obrigados a tomar decisões que nem sempre poderão ser as mais fáceis no momento, mas que acreditamos serem as melhores para o futuro deles, tenham eles 3, 15, 32 ou 54 anos. E as suas atitudes e comportamentos são também o reflexo da educação que lhes vamos dando, especialmente quando eles são mais novos, ainda mergulhados num mar puro, transparente e inocente.

Rejo-me por valores que considero inegociáveis, dos quais não abdicarei na educação dos meus filhos e não descansarei enquanto não sentir que eles os praticam espontaneamente, nomeadamente o respeito, a responsabilidade, o compromisso, a humildade e a entreajuda. Acredito que se lhes dermos o nosso amor devidamente suportados nestes valores, eles poderão continuar o seu caminho de felicidade e serão capazes de tomar as melhores decisões. Até lá, cabe-nos a nós, mães e pais, guiá-los por aqueles que entendemos serem os melhores caminhos, seja na vida familiar, escolar, ou até mesmo no desporto.

E escolher o desporto ideal para os nossos filhos é também ela uma decisão difícil, há muita coisa em jogo: fazemos questão que eles pratiquem algum desporto? Se sim, à nossa escolha ou deixamos que eles o escolham livremente? Privilegiamos o desporto individual ou coletivo? Vamos querer que eles pratiquem o desporto que praticámos quando éramos jovens? Estamos dispostos a levá-los a qualquer lado ou vamos focar-nos na oferta perto da nossa casa? Interessa-nos e condiciona a nossa decisão saber para onde irão os amigos dos nossos filhos? São demasiadas perguntas, é um facto. Por isso, não me restou outra alternativa que não a de ligar ao Ryder a pedir a ajuda dele e dos seus amigos cãezinhos. Eles responderam ao nosso chamamento!

 

– “Patrulha Pata, para a base!”

– “O Ryder precisa de nós!”

(…)

A missão foi um sucesso!

Levantei voo com a Skye e consegui ter uma perspetiva ampla e aberta do cenário, daquilo que está em causa, do potencial impacto das nossas decisões enquanto pais. Foi no helicóptero que confirmei a ideia que já tinha, a de que a prática de desporto é essencial ao desenvolvimento físico e emocional dos nossos filhos e por isso sim, esta é uma decisão importante.

Foi então que pedi ajuda ao Chase. Com o seu drone fiz uma viagem rápida ao passado, à minha infância e vi o quão feliz fui a praticar futebol junto dos meus amigos, a maior parte dos quais amigos de escola. O facto de se tratar de um clube regional não invalidou a existência do compromisso e a da responsabilidade. No entanto, a amizade e o espírito de equipa estiveram sempre em primeiro lugar. É muito importante estarmos num ambiente confortável, descontraído, rodeados de amigos, para sentirmos e desfrutarmos do verdadeiro prazer do desporto.

O Zuma até me ajudou a surfar nas aventuras vividas dentro do balneário, local onde na verdade nunca se levantaram grandes ondas. Lá dentro, a maré estava cheia de alegria, de boa disposição, de vontade de nos conhecermos e superarmos, de revelarmos o nosso valor ao mesmo tempo que nos divertíamos. Curiosamente, ou não, as melhores memórias que tenho desse tempo vêm das brincadeiras de balneário, das partidas que fazíamos uns aos outros, do pré e pós treino/jogo. Rimo-nos muito! Pensar em desporto sem pensar no convívio antes e após a prática do desporto é pensar pequeno, não faz sentido. Falta-lhe aquela pitada de sal.

Esta viagem ao passado foi, de facto, muito refrescante. De volta ao presente, aproveitei para arrumar as ideias, enterrar alguns pensamentos mais superficiais e voltar a semear os tais valores dos quais não abdico. Ainda bem que tinha o Rocky e o Rubble para me ajudar, com as suas ferramentas e escavadora, respetivamente, tudo se tornou mais simples.

E todos terminámos à gargalhada quando o Marshall, no seu estilo agitado e destrambelhado, ligou acidentalmente o canhão de água e nos molhou a todos. 😊

 

A experiência de hoje foi extremamente importante. Graças à Patrulha Pata pude pensar tranquilamente naquilo que é verdadeiramente importante e, por isso, hoje posso dizer que tenho mais certezas que dúvidas. Não nego que o meu lado mais egoísta apreciaria ver os meus filhos gostarem e jogarem futebol, mas apenas porque gostava que eles fossem pelo menos tão felizes quanto eu fui. Enoja-me ver os comportamentos dos pais que querem que os filhos sejam aquilo que eles não foram, que criam enorme pressão sobre a exibição dos próprios filhos nos treinos/jogos, que questionam as decisões dos treinadores, que criam rivalidades com outros colegas de equipa ou que chegam a pagar balúrdios para terem os filhos numa equipa mais conceituada. Tudo, em busca de um estatuto que só os próprios valorizam e na esperança de que os filhos venham a ser estrelas. Isso subverte o conceito e os ideais do desporto jovem, que defendo intransigentemente.

 

Para mim, o que verdadeiramente importa é que sejam e tenham amigos enquanto praticam desporto, seja ele qual for. E que cresçam como atletas e Homens nos tais valores: respeito, responsabilidade, compromisso, humildade e entreajuda.

Essas são, para mim, as verdadeiras medalhas de campeão!

Obrigado, Patrulha Pata 😊

 

João Martins