Quando em 2016 o Sporting fez regressar a Equipa Feminina, eu era o Coordenador do Departamento de Guarda-Redes. O primeiro pensamento que tive foi: que tipo de metodologia iremos desenvolver?

Foi simples. O papel do guarda-redes no futebol feminino é precisamente igual ao do futebol masculino, por isso, olhámos apenas para a posição específica que ocupa no terreno de jogo e nunca para o seu género.

Apenas assim se poderia realizar um bom trabalho, porque estamos a falar do desenvolvimento individual da(o) atleta e qualquer que seja ela(e), teremos sempre de fazer adaptações em função das suas características.

 

 

Foi o que fizemos, tanto na criação de exercícios como na forma de liderar.

Tínhamos um modelo de treino construído com aquilo que acreditávamos ser o melhor para as(os) guarda-redes do clube. Todas as questões de desenvolvimento técnico-tático estavam previstas e começaram a ser colocadas em prática. Se por um lado insistimos muito no desenvolvimento técnico individual, por outro, entendemos que deveríamos juntar a compreensão do jogo.

Dividimo-lo em seis contextos (acção como último defesa; guarda-redes em posse; cruzamento; 1×1; atraso e remate) e em bolas paradas defensivas e ofensivas.

Foi interessante ver a evolução de cada uma da nossas guarda-redes (Patrícia Morais e Inês Pereira) sob a orientação do Gonçalo Simões, depois do Dário Ezequiel e mais tarde o Stefan Olímpio.

Foi um trabalho desafiante e meticuloso que, foi dando frutos ao longo do tempo. As nossas guarda-redes eram também as da nossa Seleção. As duas muito diferentes, mas igualmente de grande qualidade.

Esta época houve uma renovação do plantel e para colmatar as saídas da Patrícia e da Inês, o Sporting contratou a Doris Bacic e integrou em definitivo a Carolina Joia da equipa B. O treinador passou a ser o Gonçalo Xavier que já estava connosco desde 2019 na equipa de juniores e Equipa B e está a dar continuidade ao projeto. É certo que com algumas ideias novas, a coordenação mudou, mas o projeto continua.

Penso que os sportinguistas devem de ter orgulho em todas as suas guarda-redes (passado e presente), e na importância que têm na dinâmica da equipa. São peças cruciais pela forma como interpretam e tomam decisões individuais com muita influência na equipa. Não se limitam apenas a estar à espera para defender remates das adversárias – posicionam-se bem, comunicam e são tão importantes, quando a equipa tem bola ou não tem. Isso faz toda a diferença!

A realidade é que, no que à evolução do guarda-redes no futebol feminino diz respeito, há um facto inegável: o departamento de guarda-redes do Sporting Clube de Portugal, tem tido um papel fundamental na criação e partilha de conteúdos que, em muito engrandece esta posição tão específica do Futebol.

 

Artigo escrito por Nelson Pereira, ex-guarda-redes internacional.